A difícil arte do “SER”

Você é quem realmente é, ou apenas uma tentativa de se moldar ao que os outros esperam?

A difícil arte do “SER”, como é complicado! Tudo isso por conta da nossa necessidade de aceitação, do desejo do outro em nos ver de uma forma que só interessa realmente a ele. Afinal, todos temos uma ideia de como queremos que os outros se comportem em relação a NÓS.

E uma grande parte de nós se preocupa excessivamente em “agradar” ao próximo. Veja que a palavra agradar está entre aspas justamente para expressar essa abstração. Como assim agradar? Será mesmo que eu sei fazer isso? E por que eu deveria me preocupar tanto em manter as pessoas “felizes” com a minha presença?

Perceba que estamos falando sobre excessos. É normal e até mesmo desejável que sejamos bem vistos e bem quistos. Afinal, vivemos em sociedade, e uma certa harmonia é esperada nos relacionamentos.

Mas quando isso se torna uma obrigação — digo, agradar ao outro, mesmo que isso entre em choque com minhas convicções e meu “modus operandi” habitual — é preciso um olhar atento e, quem sabe, até um acionamento de uma “sirene” de alerta.

Isso pode passar despercebido por um bom tempo, mas ao longo da vida, a chamada para o processo de individuação (Jung) baterá à porta e pedirá as contas. As coisas começam a não fazer mais sentido. A vida parece, a cada dia, mais curta, e a necessidade de ficar agradando a todos a todo custo parece não ser mais tão doce como antes.

Esse momento, apesar de se apresentar em outros momentos da vida, vem principalmente à tona por volta dos 30, 40 anos de idade. A chamada para tornar-se indivíduo, para então SER!

Ah! Pessoas que, em função do alto grau de dependência emocional, não conseguem TORNAR-SE, e mesmo quando essa indagação vem à tona: “…mas o que é que eu estou fazendo da minha vida?…”, acabam cedendo e ficam à mercê de outrem, recebendo suas migalhas emocionais.

Pergunte a uma pessoa que ainda não conseguiu passar por esse processo: “…me diga, quem é você?…” Haverá, na maioria dos casos, uma pequena pausa, e então a resposta: “Eu não sei! Nunca pensei sobre isso!”

Isso é absolutamente comum, principalmente nos dias atuais, onde a felicidade deve reinar a qualquer custo. Onde os valores são jogados na sarjeta para que, de alguma forma, agradando ao outro, eu tenha algum tipo de benefício.

Longe de mim explicar o funcionamento social e suas nuances, mas o que quero deixar como reflexão é que precisamos nos tornar um SER, independentemente do pensamento ou julgamento alheio.

Ter um bom relacionamento com todos é importante, mas você não pode trocar isso por deixar de existir. Relacione-se, mas SEJA também!

Rodrigo Bazzan – 29/01/2025.

Rodrigo Bazzan

Psicólogo Clínico

“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung

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