E se acaso eu fracasso?

Como sobreviver à angústia por uma possível falha?

Fracassos! Eita, como isso dá medo! Apesar daquela máxima — “Fica em paz que só fracassa quem tenta” —, parece que esse ditado falha miseravelmente em sua função de espantar o medo.

Tentar algo novo sempre traz consigo um pouco de medo e ansiedade. Trato essa condição como algo normal, mas, obviamente, isso pode sair do controle em algum momento. Se acontecer, busque a psicoterapia.

Mas por que tanto medo de fracassar? Afinal, o dito popular não está errado: “Só erra quem faz!” Então, vamos analisar algumas situações possíveis e suas prováveis soluções. Veja se, assim como eu, você se encaixa em alguma delas.

O medo do fracasso na vida financeira

Esse, acredito, seja um dos mais comuns. Boletos! Ah, malditos boletos, que se multiplicam sabe-se lá como. (Estou sendo irônico aqui, afinal, sabemos que alguns deles poderiam ser evitados.)

O medo do fracasso financeiro não surge quando as coisas estão ruins, mas sim quando, pelo menos, estão estáveis. Nesse ponto, surge o receio de que a situação piore, e a rotina acaba nos prendendo. A maioria das pessoas nem pensa em mudar de estratégia.

Mas veja: quando se está no fundo do poço, a única saída é tentar subir. Como diz outro ditado popular: “Cagado meio? Cagado inteiro!” Nesse ponto de dificuldade, sentimentos como insatisfação, injustiça e até raiva podem ser grandes propulsores para a mudança.

Repare que grandes transformações nunca aconteceram na base da felicidade e da satisfação. Elas ocorrem porque as coisas estavam indo de mal a pior. (Vide Revolução Francesa — nesse caso, até a Wikipédia serve.)

Por outro lado, quando a vida está minimamente estável, as pessoas dificilmente se arriscam. Preferem reclamar, esperando que algo milagroso aconteça, sem sair da zona de conforto. Como diz outro ditado: “Tá ruim, mas tá bom.”

Medo do julgamento

Esse, para mim, é um dos mais fortes.

“E se eu for e falhar? Se a coisa não der certo, todo mundo vai olhar para mim e dizer: que decisão errada foi essa?”

Bom, deixa eu te dizer uma coisa: isso vai acontecer mesmo. As pessoas falam, julgam, comentam. Existe até um ditado (os psicólogos vão me matar por citá-lo) que diz: “Eu quero te ver bem… mas não melhor do que eu.” Nem preciso dizer a qual sentimento isso se refere, certo? Infelizmente, nos dias de hoje, isso está por toda parte.

Medo de não ser capaz

Esse também é muito comum, principalmente em pessoas com baixa autoestima e pouca autoconfiança. A insegurança quase sempre é algo herdado. Pessoas que cresceram em um ambiente seguro e encorajador dificilmente ficam paralisadas por muito tempo em situações que não as satisfazem.

Traumas infantis podem ter dois efeitos.

Para algumas pessoas, a dificuldade gerou resiliência e força. O medo do fracasso diminui porque já passaram por situações piores. “Isso aí não é nada.”

Para outras, a falta de segurança as impede de tentar. A simples possibilidade de falhar já é motivo para desistir. Elas rejeitam qualquer ideia que possa tirá-las do “inferno conhecido”.

E, nesses casos, ainda tentam desencorajar os outros: “Isso tem tudo para dar errado! Depois não diga que eu não avisei.”

Aqui, vemos dois tipos de medo do fracasso. O primeiro é a projeção do medo em si mesmo: “Eu não faria isso nem a pau.” O segundo, talvez o mais difícil de lidar, é o medo de que o outro tenha sucesso, pois isso evidenciaria sua própria insegurança.

E agora?

Se conselho fosse bom, a gente vendia. Mas pense: o que é mais importante para você?

Você chegará ao final da sua vida equilibrando-se, amargurado, ressentido e cheio de frustrações por não ter tido coragem de enfrentar a possibilidade de fracassar?

Ou então terá acumulado vários fracassos, várias vitórias e muito aprendizado, terminando a vida forte e experiente, daqueles que, com o tempo, pouco se abalam com qualquer coisa?

Lendo essas duas hipóteses, qual delas parece ser o verdadeiro fracasso? Isso tem a ver com como você quer ser lembrado.

🎶 “Andá com fé eu vou, que a fé não costuma faiá…” 🎶

Esse foi o caminho que eu escolhi. Espero que você encontre o que te faz feliz.

Fiquem bem! Abraços.

Rodrigo Bazzan – 05/02/2024

Rodrigo Bazzan

Psicólogo Clínico

“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung

Botões Alinhados