Escolhas eternas?

sobre a falácia de que depois de uma escolha resta a eternidade

A Ilusão da Escolha Perfeita

Já escolhi muita coisa na minha vida, e acredito que você também. Escolhas são importantes, e em muitos momentos ficamos preocupados, com razão, em fazer a “escolha certa”. Depois de estudar psicologia, percebi que é quase impossível ter essa certeza, a de que a minha escolha foi a melhor dentre tantas outras possibilidades possíveis, infinitas. Então, baixei a “bolinha” e comecei a me preocupar mais com a análise dos resultados das escolhas do que propriamente com a escolha em si.

Obviamente, ninguém quer ter problemas! Escolhas “mal feitas” (é provável que este texto tenha muitas aspas) irão gerar resultados desagradáveis, e nós, enquanto adultos, prezamos por trabalhar com uma lista reduzida de “problemas”: quanto menos problemas, melhor! Existirão sempre escolhas mais prováveis:

  • “Bom, segundo minha análise estatística, vou por esse caminho; pelo outro, muita gente já se lascou!”
  • “Meu pai sempre me dizia: por aqui, filho; lá não vai dar muito certo!”
  • “Por aí? Nem ferrando! Se quiser, vá sozinho”, disse um amigo.

Histórias e mais histórias poderiam encher uma enorme biblioteca de análises sobre “Qual decisão é a mais correta!”. Tendo um histórico alicerçado em ciências exatas antes da psicologia, eu me baseava muito nisso: análises estatísticas! Algumas decisões eu gostei do resultado; outras, quando o resultado não era o esperado, eu colocava a culpa em alguém ou em alguma situação, mas olhava muito pouco para mim mesmo. Comum!

A Mudança de Perspectiva: Das Ciências Exatas às Humanas

Depois de aprofundar-me no mundo das ciências humanas, nesse caso a psicologia (mas amo filosofia também), descobri que grande parte das escolhas tem a ver comigo, só comigo! As palavras “depende”, “não tenho certeza”, “será?” invadiram meu dia a dia, e desde então tenho tido um pensamento mais modesto com relação a “escolhas certas”.

A mesma escolha, seguindo os mesmos parâmetros, com “toda a certeza do mundo”, trará resultados diferentes! Parecidos? Talvez, mas nunca iguais.

Isso me faz pensar como a vida é cheia de variáveis, como tudo muda o tempo todo, e como, hoje em dia, um pouco mais maduro, a certeza vai se esvaindo, como quando o vento sopra a folha, e ela cai ao chão! Não há certezas sobre quase nada nesta vida, só uma que já virou clichê: “Deu o tempo aqui? Bye bye, baby, te vejo no “pós vida” — claro, para aqueles que acreditam nisso. Caso contrário, o que se espera é o nada!

A Liberdade de Reavaliar e Mudar

Se, diante disso, você não se sente incomodado com o fato de que escolhas precisam ser para sempre, o que direi mais? Bom, isso também é uma escolha!

Eu decidi que vou viver cada passo, analisando os resultados, e, se for necessário, escolhas serão “desescolhidas” — essa eu acabei de inventar! Outros rumos serão tomados, e novas análises serão realizadas. Se for proveitoso e saudável, ótimo; caso contrário, mudamos o caminho novamente.

Trate sua vida com carinho, respeite o próximo e também a si mesmo. E se achar que deve mudar uma escolha, faça! Caso contrário, entendo que sua análise com relação à sua vida deu “Opa! Positivo, tudo certo”. Aí, sim! Mas, se não for isso, é melhor fugir desse medo de viver.

Abraços e fique bem!

Rodrigo Bazzan – 13/02/2025

Rodrigo Bazzan

Psicólogo Clínico

“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung

Botões Alinhados