um olhar sob perspectiva do cuidado e aprisionamento
Curitiba: uma cidade de contrastes e belezas naturais
Estamos em Curitiba na data desse texto. Um lugar diferente, até agora muito interessante! Como um bom amante da natureza, me deparei logo na entrada da cidade com uma rua repleta de árvores frondosas, lembrando um pouco a nossa Avenida da Saudade em Rio Claro – SP, onde as figueiras reinam, mostrando seu impacto e esplendor – bom, pelo menos para mim.
Aqui também, a arborização é fantástica, se comparada aos padrões atuais de Rio Claro. Árvores enormes – imagino que algumas centenárias –, calçadas que mais parecem ruas de tão largas, e ruas que mais parecem estradas, com quase sempre duas faixas de rolamento. Fiquei impressionado. As casas, que se mostram logo atrás dos enormes jardins, têm o verde como sua cor principal. Muitas folhagens, algumas das quais nunca tinha visto.
Explorando os pontos turísticos
Estamos visitando os pontos turísticos mais conhecidos. Já fomos ao Museu do Expedicionário (infelizmente fechado por conta do Carnaval), à Ópera de Arame – mesmo não tendo nenhum espetáculo, mostrando sua curiosa estrutura toda composta por tubos metálicos –, ao Mercado Municipal, até que chegamos ao Jardim Botânico, um lugar realmente lindo para quem gosta de vegetação e plantas!
Já me deslumbrei com o gramado, impecável! Arbustos milimetricamente podados formando desenhos triangulares, um lago logo na entrada e trilhas por onde as pessoas podiam correr ou simplesmente andar e curtir a brisa local.
O formigueiro humano
Muita gente! O que me deixou um pouco chateado. Gosto de gente, sim, mas não todas ao mesmo tempo, disputando o mesmo espaço 😊! Mal sabia que ia piorar.
Logo mais à frente, uma imponente estrutura de tubos metálicos e vidro se apresentou, rodeada pelo jardim e pelo restante do povo mundial – um formigueiro. Minha esposa certamente diria que estou exagerando, mas, para mim, era assim que parecia. Pois bem, seguimos em direção à obra, pois lá dentro estaria a maior atração: as plantas da estufa.
Conseguimos entrar. O fluxo era complicado. Havia escadas estreitas, que serviam para subir e descer. O problema era que todo mundo queria subir ou descer na mesma escada. Imagina o “engarrafamento escadal”! Com alguma paciência, ouvindo as reclamações sobre o óbvio – “Tinha que ter uma placa aqui, direcionando uma escada para subir e outra para descer.” –, conseguimos!
Um pequeno desabafo
PS: Adoro quando as pessoas reclamam o óbvio para alguém que não pode resolver a situação. Simplesmente, o reflexo da ineficiência. Ora, se aquilo te incomoda de maneira exorbitante, reclame com quem é de direito. Caso contrário, se aquilo não será constante, se você não vai morrer, então pare de reclamar e sobreviva, caminhe em frente. Enfim, um pequeno desabafo!
A estufa: beleza artificial
Há muitas plantas dentro da estrutura, que, na verdade, é uma bela estufa. As paredes de vidro tornam o lugar quente. Dentro, uma pequena cachoeira mantém a umidade. Nunca fui, mas imagino que se pareça com o clima de Manaus: quente e melado! Bom, as plantas, pelo jeito, adoram. Pelo menos as escolhidas para aquele ambiente prosperaram como nunca. Bromélias gigantes, árvores que eu desconheço tocavam o teto de vidro do jardim. Pensei: “E agora? E se elas crescerem mais? O que faremos?” Fiquei sem resposta, mas imagino que não vão quebrar o teto para que elas saiam!
O Jardim das Sensações: natureza verdadeira
Em outro momento, saímos e fomos para uma trilha onde existia um outro jardim: o “Jardim das Sensações”. Lugar bonito, com uma variedade muito maior de plantas, todas ao ar livre, fora da redoma de vidro, prosperando e, ao meu ver, muito mais felizes. Estavam em seu ambiente natural, propícias a chuvas e vendavais, ao calor extremo, à falta de água, ao contato com animais e insetos.
Tinham marcas, sim. Alguns arranhões, mas viviam, pelo que senti, muito mais verdadeiramente do que as pomposas na casa de vidro. Me é interessante como a questão da verdade me toca. As outras plantas, na redoma, aos meus olhos, eram muito mais bonitas e viçosas, mas viviam em um mundo de mentira. Já as que estão naturalmente em seu habitat se mostram machucadas, mas verdadeiras.
Reflexão final: liberdade ou pompa?
Acho que prefiro ser um matinho na calçada, sentindo o vento suave, a chuva que me refresca, livre na vida com tudo o que ela tem a me oferecer, do que uma linda árvore pomposa, dentro de uma enorme redoma de vidro, onde a brisa fresca da manhã nunca vai chegar. Ser uma atração turística tem seus sérios problemas. Ser o troféu de alguém, ao invés de ser de si próprio, é pior ainda.
E você? Como prefere viver?
Abraços e fiquem bem!
Rodrigo Bazzan – 03/03/2025 (Curitiba)

Rodrigo Bazzan
Psicólogo Clínico
“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung