um reflexão sobre o que momentos angustiantes podem ensinar
Você acorda de manhã e sente uma coisa estranha, um aperto no peito, um negócio ruim. Está emocionalmente rebaixado, sem muita energia, sem muita vontade. Às vezes, ela vem acompanhada de um pouco de raiva. Quando não entendida, essa raiva pode ser apenas uma reação ao mal-estar. Mas quando assimilada, ela pode ser o reflexo da sensação de incapacidade diante daquilo que ainda não conseguimos elaborar. Angústia!
É uma sensação chata, penosa e, sim, “raivosa”. Ninguém gosta de senti-la. É uma péssima companhia. E, quando chega, queremos que vá embora rápido, que nos deixe em paz.
Empurrando a Caravam sem gasolina
Se tivermos um pouco de calma e paciência, talvez consigamos extrair algo bom desse momento angustiante. Parece impossível, mas nem tanto. Não é fácil, exige esforço e desconforto — além do que já estamos sentindo. É como empurrar uma Caravam sem gasolina: você já está sem energia, e ainda entra mais uma pessoa no carro pra você continuar empurrando. Haverá, sim, um esforço adicional.
Momentos de desconforto nos forçam a buscar novamente a estabilidade emocional, com o desejo de que isso aconteça o mais rápido e da forma menos dolorosa possível. Por isso, o movimento de extrair sentido da angústia nem sempre é bem-vindo. Mas, para quem se propõe ao esforço, há chance de aprendizado. Um aprendizado importante, e por vezes transformador. E talvez, no futuro, a angústia venha menos intensa — ou, pelo menos, com menos poder.
Tome as rédeas: converse com ela
Converse com a angústia! Sim, com ela mesma. Pergunte a si mesmo quais os possíveis motivos, os desfechos prováveis, as implicações e as tramas que envolvem esse sentimento. Às vezes, principalmente no início, não encontraremos respostas. Mas o simples ato de se posicionar diante dela já tira a angústia do papel principal. Quem assume o comando é você.
Ela não estará mais no controle, e sim você. Não tenha medo dela: olhe, analise, converse. Depois, quando tiver clareza sobre o que está sustentando esse estado, desmonte esses pilares, um por um. E você verá que ela vai desaparecer. Não como num passe de mágica, mas como resultado direto da sua coragem e disposição em encarar esse “cara a cara”.
Conversar com a angústia não é fácil. Mas fugir dela é pior ainda. Uma hora, ela volta e te pega de novo. Então, força!
Abraços e fiquem bem!
Rodrigo Bazzan – 05/05/2025

Rodrigo Bazzan
Psicólogo Clínico
“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung