Felicidade não se guarda, se vive!

um reflexão sobre o medo de ser feliz

Dona Maria sentia uma leveza rara enquanto observava o pôr do sol da varanda, era final de outono, com a xícara de chá aquecendo as mãos e o silêncio preenchendo a alma. Por um instante, pensou que talvez estivesse feliz, simplesmente feliz, momento singularmente único, então sorriu. De repente, a irmã, que morava na mesma casa e também dispunha do mesmo sol que insistia em bater na casa avarandada, nota o semblante sereno de Maria, e então comenta: “Momentos assim nunca duram!”, indicando que logo alguma coisa estragaria tudo.

A frase, lançada com descuido, penetra fundo. Hesitante, a moça banhada pelo calor desvia o olhar do céu, guarda o sorriso e abaixa a cabeça. A felicidade que momentaneamente brotara, agora dá lugar a um olhar sério, abafado pelo medo de se sentir frustrada mais adiante. Sem perceber, e levada pela angústia da irmã, deixou escapar o instante. Aceitou que era melhor não se apegar ao que vai embora.

A Natureza dos Momentos Felizes

Exato! Momentos assim nunca duram, nada dura eternamente, a diferença entre felicidade e tristeza está na interpretação que damos a cada um deles. Há pessoas que não o aproveitam porque têm medo de se alegrarem muito e depois se frustrarem, devem pensar: “Quanto mais alto for na alegria, maior será minha queda quando ela terminar”. É o medo de que o mundo inveje sua felicidade e que, por conta dela, deve pagar um preço posterior, afinal, é injusto que eu esteja feliz, o mundo é naturalmente triste para a maioria das pessoas.

A Percepção e o Poder da Felicidade

“O mundo”, meu querido e minha querida, não está nem um pouco preocupado se você está feliz ou triste. Essa força que parece ter o poder de perseguir e te deixar para baixo quando um lapso de alegria aparece não existe, trata-se tudo e exclusivamente de como você interpreta a vida. O sol nascerá amanhã novamente, ele tocará seu rosto e o de todos que também não o percebem ou estão tristes, o que você faz com essa percepção é que ditará se o momento será de felicidade, indiferença ou medo, medo de experimentar a felicidade nessas mínimas coisas e depois se frustrar por algo aleatório que aconteça no seu dia, e sim, na grande maioria das vezes aleatório, sem controle e sem ligação absolutamente nenhuma com relação a estar previamente feliz.

Há pessoas que “são mais felizes” porque conseguem captar esses momentos, e os usufruem em toda sua intensidade, sem medo de se frustrarem com algo depois. Por quê? Porque é óbvio que, em algum momento, seremos frustrados e estaremos tristes. Mas há uma diferença gritante em termos de energia psíquica entre as pessoas que entendem essa diferença. Veja se não faz sentido: quanto mais eu me alegro, mais energia positiva eu tenho, e estando mais carregado positivamente, ainda que essa potência caia por algum infortúnio, ainda terei uma reserva de energia para continuar. Mas, se por acaso, não me alegro com frequência, parece óbvio que ficarei logo logo com um saldo negativo.

A Energia Positiva e a Percepção de Felicidade

Há tudo em todo lugar, depende para onde você está olhando! Se eu lhe pedir agora um pouco de tristeza, você com certeza conseguiria pelo menos o caminho para encontrá-la. Se fosse preocupação, medo, angústia, também saberia bem onde estão. Mas se lhe pedissem um pouco de alegria, onde você encontraria? Ela está por aí, esperando aqueles que conseguem contemplá-la de forma simples e singela, sem grandes alvoroços, sem grandes financiamentos, a alegria pura e verdadeira.

Que pode estar dentro de um fóton, uma partícula que representa a menor unidade da luz, viaja a cerca de 300 mil km/s, viajando um pouco mais de 8 minutos até o seu corpo aqui na Terra, tanto para você quanto para quem não consegue perceber!

A vida é principalmente feita de escolhas!

Abraços e fiquem bem!

Rodrigo Bazzan – 13/05/2025

Rodrigo Bazzan

Psicólogo Clínico

“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung

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