uma reflexão sobre a paciencia
Já fez isso? Já fez aquilo? Meu Deus, olha a hora! Paciência, meu caro, paciência! Vivemos numa época em que tudo é para ontem. As pessoas querem resultado rápido, resposta imediata, solução mágica. Não à toa, fast food e micro-ondas foram e continuam sendo a sensação do século XXI. Mas tem coisas na vida que simplesmente não funcionam assim — ou pelo menos nunca deveriam!
Palavrinha importante
Paciência virou artigo muito raro, de tal forma que, quando encontramos alguém um pouco mais paciente, já rotulamos como “lerdo(a)”. A frase parece que ecoa na cabeça: “Gente do céu, que pessoa lerda!”, “Odeio gente lerda”. E por que pensamos assim? Porque entramos na onda do imediato. Mas observe: quem é “lerdo”, na maioria das vezes, parece mais saudável emocionalmente, menos estressado do que a maioria de nós. No final, sentimos até uma certa inveja. E não raro eu ouço por aí: “Ela que está certa”, referindo-se à tal pessoa “lerda”.
Paciência. Quem não a cultiva vive em constante frustração. Porque as coisas grandes, importantes, que realmente valem a pena, só acontecem com tempo. Tempo de preparo, tempo de amadurecimento, tempo de espera. Sem paciência, a gente se atropela. Ser paciente é saber dosar a energia aplicada em determinada coisa. E isso é de suma importância, caso seu sobrenome não seja Rayovac Alcalina.
Esperança: mais que um nome de sogra
Paciência está intimamente ligada à esperança. E esperança não é ilusão. Esperança é a capacidade de olhar pra frente acreditando que as coisas vão mudar. E elas mudam. A vida é feita de ciclos, altos e baixos. O problema é que, quando a dor aperta, a gente quer que passe logo. Mas não se trata só de esperar — é esperar com paciência. É manter a fé e não sair quebrando tudo no caminho achando que isso vai acelerar o processo.
Ansiedade: o inimigo da solução
Quando você sente que precisa resolver tudo agora, que não dá mais pra esperar, é aí que mora o perigo. Agir no impulso, no desespero, quase sempre termina em erro. Troca-se os pés pelas mãos, cria-se confusão, toma-se decisões que só pioram a situação. A pressa, nesse contexto, é inimiga da sabedoria. E isso tem um preço alto: gera frustração, e o resultado negativo vem cheio de culpa e porquês.
Segurar a onda: força de quem confia
Segurar a onda, ir de leve, na maciota, não é sinal de fraqueza. Pelo contrário. É um dos maiores sinais de força emocional. Quem consegue manter a calma mesmo com tudo desmoronando à sua volta já está com meio caminho andado para superar qualquer crise. Confie. Tenha esperança. E cultive a paciência. Tenho certeza de que os frutos da colheita serão fartos, nutritivos e deliciosos.
Fast food e micro-ondas fazem parte da vida — de vez em quando tudo bem —, mas se for a rotina, está na hora de revermos nossos conceitos.
Abraços e fique bem!
Rodrigo Bazzan – 23/07/2025

Rodrigo Bazzan
Psicólogo Clínico
“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung