Como é difícil escolher

sobre a dificuldade que temos de tomar decisões

Caminhando pelo Pântano da Vida

Imagine-se andando por um pântano. Ele ainda é raso; você consegue ver o fundo. Então, decide dar o próximo passo! Opa, deu tudo certo. Não afundou; as pernas aparentemente estão soltas. A água ainda não entrou pela bota de borracha. Estamos no raso ainda. Você sabe onde quer chegar: logo mais à frente, a algumas centenas de metros, há árvores frondosas e terra seca.

Não há uma trilha visível onde outras pessoas pudessem ter passado e deixado algum tipo de rastro. Então, a você resta apenas decidir onde será o próximo passo: mais para a direita ou mais para a esquerda? Decide pela direita. Então, um susto: o pé escolhido para o passo afunda, e você agora tem água até os joelhos. Decide, então, sair dessa situação e agir com o outro pé. Faz força para o outro lado na tentativa de desatolar. Consegue! O pé sai completamente “nu”. A bota de borracha já era – ficou no buraco. E agora?

Agora, só resta continuar. E, sem uma bota em um dos pés, a caminhada se torna mais desafiadora. Percebe, então, que à direita o terreno é mais lamacento. Melhor ir para a esquerda. Encontra algumas pedras por esse caminho, que, no momento, lhe são benéficas. Dão apoio e um caminhar mais seguro. Mesmo assim, a cada passo, uma nova decisão: “Aqui ou ali? Onde eu piso, caramba, nessa desgraça de lugar?”

A jornada continua

Ainda não há final da história. O personagem irá decidir por onde caminhar. À medida que suas decisões forem tomadas, ele então interpretará o resultado de cada passo para, então, dar o passo seguinte. Afinal, é um pântano – um lugar desconhecido, quase sem rastros aparentes de outras caminhadas. Ele precisa agir com cautela, mas, se ficar parado por muito tempo, com medo, isso poderá lhe custar a vida. O que posso dizer é que, nesse momento, ele ainda caminha, com um misto de medo e coragem, segurança e ousadia – tudo aparentemente em um equilíbrio esperado. Constância!

A parábola da vida

Essa é uma parábola que pode representar nossa vida. Decisões são importantes! Decidir é quase uma arte, porque não envolve somente conhecimento prévio, mas a coragem de caminhar e lidar com cada decisão de passo que você ou eu escolhermos. Costumo dizer que não existe decisão certa; existe a decisão que escolhemos.

Como diria Clóvis de Barros, ao realizar uma escolha, precisamos ter em mente que deixamos de escolher outra infinidade de possibilidades. E, estando insatisfeito com o caminho que escolhemos, parece não ter sentido imaginar outras escolhas – imaginando, sim, porque não existiram e não existirão –, elas seriam melhores do que a escolha atual. Talvez sim, nessa questão específica que estamos focando, mas, obviamente, existiriam outros desconfortos de outros tipos, que nos fariam duvidar de tal escolha, novamente.

Reclamar ou agir?

Tendo isso em vista, parece que somos experts em reclamar em vez de resolver. Ora, se algo não sai como esperado, reclamar não ajuda em nada. Observe, trace uma nova rota e, então, siga. Agora, mais experiente. Se, pela direita, afunda, tente a esquerda, que pode não afundar, mas pode estar cheia de outras questões que não existiriam na direita. Entende?

Cada caminho terá, sob o seu ponto de vista, coisas que nos deixarão felizes, às vezes no “tanto faz” e, algumas vezes, totalmente insatisfeitos. O que fazer? Melhor esperar, então, ter mais experiência, ou que alguém me ajude, ou ter mais ferramentas, ou sei lá, jogar as cartas. 😆

Coragem para decidir

Em alguns momentos, realmente, algumas decisões precisarão ser estudadas com mais profundidade. Não seja uma pessoa inconsequente – não é nesse contexto que estou me expressando –, mas sim naqueles momentos em que apenas nos falta coragem de lidar com outras possibilidades, que podem ser, de uma forma ruim, inesperadas.

Vi com um amigo um livro do Mario Sergio Cortella, “A sorte segue a coragem”, que muito provavelmente deve estar falando sobre esse mesmo assunto. É preciso ter coragem para viver, e viver é decidir a todo momento. Uma vida sem decisão é uma vida infrutífera, na maioria das vezes.

Tome o controle da sua vida

Você pode chegar onde quiser. Pode, pelo menos, tentar. Ou pode ficar parado, esperando uma “manga” cair no seu colo para se alimentar. Isso é sobre tomar o controle da própria vida. Se tiver medo de errar, erre, mas faça por si mesmo! Pior que errar é ficar culpando outros ou se lamentando porque foi um “Maria vai com as outras”. Tenha coragem! A vida é sua. A vida é única. Espero que você não fique pelo pântano, mas chegue onde deseja chegar.

Abraços e fique bem!

Rodrigo Bazzan – 16/03/2025

Rodrigo Bazzan

Psicólogo Clínico

“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung

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