uma reflexão sobre o esperar, e perspectivas de melhoras
Esperança… há quem diga que não pode ser nome de sogra, porque “esperança é a última que morre”. 😊 Os ditos populares me atraem muito!
Brincadeiras à parte, esperança é um sentimento puramente humano. Costuma ser confundida com expectativa, mas são muito diferentes.
Expectativa: lógica e controle
Expectativa está baseada em probabilidade e racionalidade:
“Espero que algo aconteça porque faz sentido que aconteça.”
Está sempre mais ligada ao controle e à realidade concreta.
Quando algo que eu esperava não acontece, isso me frustra e costuma gerar em mim irritação, decepção.
Esperança: abertura ao incerto
A esperança é diferente. Não importa tanto a lógica ou as probabilidades. Tem mais a ver com:
“Desejo isso, mesmo que não haja garantias.”
Envolve uma abertura ao incerto, ao possível, não necessariamente ao provável.
Ela se assemelha muito à fé — a esperança está um “degrauzinho” acima da expectativa e um abaixo da fé genuína.
Fé: convicção absoluta
Na Bíblia, em Hebreus 11:1, há uma boa definição de fé: trata-se da certeza absoluta de que algo irá acontecer, mesmo sem evidências concretas.
É uma convicção plena, que vai além da esperança.
Vivemos numa era em que há uma inversão de valores. Antes, quem tinha fé era respeitado.
Hoje, quem tem fé muitas vezes é visto como tolo.
“Esperança? Você não está vendo que não há mais nada a fazer?”
O valor está sendo atribuído cada vez mais à expectativa, à probabilidade, à utilidade.
O utilitarismo tomou conta de nós. Se algo me é útil, tem valor. Caso contrário, é descartável — inclusive pessoas.
Estamos numa sociedade onde o amor tem sido substituído pelo desejo.
Sem fé e esperança, restam apenas as trocas, os cálculos, o “olho por olho, dente por dente”.
E mesmo que hoje não arranquemos literalmente olhos ou dentes, tiramos a fé e a esperança das pessoas, como se não fossem nada.
Mas talvez seja mais possível viver sem dentes ou sem enxergar do que viver sem fé e esperança.
Um apelo à humanidade
Que lutemos todos os dias para manter fé e esperança vivas em nós e nos outros.
Se não conseguimos ajudar, que ao menos não atrapalhemos.
Que haja mais amor, compaixão, compreensão.
A ciência explica o que já existe. Um banco será sempre um banco. Um diamante, por mais raro, ainda é apenas uma pedra.
Mas a pessoa ao seu lado, lutando com fé e esperança, tem valor incalculável — e isso não se mede por utilidade.
Tirar a fé ou a esperança de alguém é, para mim, o pior dos crimes contra a humanidade.
Se você consegue viver sem elas, tudo bem. Mas, por favor, respeite quem precisa.
Termino com fé e esperança de dias melhores!
Um abraço e fiquem bem!
Rodrigo Bazzan – 07/05/2025

Rodrigo Bazzan
Psicólogo Clínico
“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung