Obrar de banquinho

viver consigo mesmo as vezes se torna um desafio

— “Onde eu ia, eu tava”, já dizia o nosso grande filósofo contemporâneo Tiririca. E, de fato, ele estava certo: vamos viver para sempre com nossa própria companhia. Acordado, dormindo, cansado, feliz, doente, sadio… e por aí vai! Mas me parece muito provável que, como tudo que experimentamos nessa vida, a mesmice do SER, para algumas pessoas mais “exigentes”, possa ser desgastante.

A Pressão da Mudança

— “É preciso se reinventar a todo momento!” — “Você precisa estar preparado para mudanças!” — “Você precisa melhorar o tempo todo…!”

Tá bom, seja mais específico: melhorar o quê? Pra quê? Pra quem? Por quê? Alguém pode me dizer? Essa cobrança, ao meu ver, excessiva, que o mundo tem despejado sem dó nem piedade no colo de todos, me deixa preocupado!

Será Que Até Isso Estou Fazendo Errado?

E vou te contar uma coisa, você não vai acreditar: descobri em um vídeo que tenho cagado de maneira errada todo esse tempo! Tem que ser com o pé em um banquinho, posição quase fetal, e o mais rápido possível para não padecer das tão temidas hemorroidas.

Agora, se nem cagar a gente sabe mais, o que esperar do resto? Loucura! Mas vai ter gente que defende, eu sei, e tudo bem, pode usar o seu banquinho em paz!

A Ditadura da Perfeição

No cerne da questão, acaba ficando subentendido: você não vale nada, não é capaz! Veja a quantidade de vídeos nas redes sociais começando com:

Se você faz isso desse jeito, pare! Você está fazendo errado!

Parece que não, mas acreditar nisso implica desejo de mudança, de melhora. Se eu acredito, tal crença começa a bater pesado na mente, me forçando a mudar. Afinal, quem não quer ser uma pessoa melhor?

Por Que Quero Mudar?

E por que, então, eu desejo ser uma pessoa melhor? Por que agora eu acredito que obrar de banquinho é o melhor a fazer? Verifique em si mesmo: veja se não está inseguro com sua própria identidade, se, quando olha no espelho, vê algo que não queria ver.

Se a vida tem passado e você não tem conseguido viver bem com sua própria presença, se você não suporta mais ser essa mesma pessoa todos os dias… Se esse for o caso, talvez seja interessante planejar uma mudança!

Planejamento, Não Pressa!

Planejar? Isso, PLANEJAR!

A gente raramente muda do dia para a noite, salvo alguns traumas de extrema relevância, que, obviamente, na grande maioria das vezes, não são nem um pouco sadios. Como, por exemplo: perdas significativas, traições e decepções profundas, violência e abuso.

Se esse for o caso, planeje e busque mudanças que sejam mais perenes, concretas, cristalizadas e que se alinhem com o SEU desejo de SER! Planejar é importante porque diminui a ansiedade da mudança pra ontem e faz a gente entender que mudanças concretas levam tempo e vêm de uma rotina de persistência e disciplina.

Seja a Sua Melhor Companhia!

Quero que você saiba que não tenho nada contra as atualizações científicas das técnicas, e talvez seja mesmo proveitoso obrar de banquinho, mas acho que deu para entender que o texto não é exatamente sobre isso.

O melhor seria que eu fosse a minha melhor companhia, que fosse prazeroso estar só comigo mesmo! Afinal, vou estar comigo até que a hora chegue, mesmo cagando errado! 😂😂😂

Um beijo, fiquem bem!

Rodrigo Bazzan – 06/02/2025

Rodrigo Bazzan

Psicólogo Clínico

“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung

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