um reflexão sobre o orgulho
Às vezes você acorda irritado, não lembra sobre o que sonhou, procura um motivo mas nada lhe serve como resposta! Está bravo e o pior, não tem ideia do porquê? Segue o dia emburrado, com cara de poucos amigos, responde o básico e não se esforça para sair desse estado. Uma breve conversa com alguém mais próximo, expondo o que está sentindo, seria o suficiente para mudar todo o panorama, mas não! Não quer ajuda!
Quando tudo pesa e você se cala
Há dias em que tudo parece demais: o corpo pesa, a mente grita, o coração aperta. E mesmo assim, a gente insiste em seguir calado, lutando sozinho. Às vezes, sabemos que precisamos de ajuda, sabemos exatamente quem poderia nos estender a mão… mas não conseguimos pedir.
Por quê?
O orgulho como barreira emocional
Na maioria das vezes, o que nos impede não é a falta de apoio, mas o orgulho. Esse sentimento que, embora pareça nos proteger, frequentemente nos isola. O orgulho nos convence de que pedir ajuda é admitir fraqueza, é mostrar que não damos conta. Ele sussurra que os outros vão pensar menos de nós, que perderemos autoridade, respeito, autonomia. E posso dizer uma coisa: a gente não dá conta de quase nada sozinho.
Só que o orgulho, nesse caso, não é força — é medo disfarçado. Medo de decepcionar, medo de sermos julgados, medo de parecermos frágeis.
Crescemos ouvindo que devemos ser fortes. Que “chorar é feio”, que “problemas a gente resolve em silêncio”, que “quem muito fala, se expõe demais”. E assim, aprendemos a vestir essa armadura emocional, endurecendo a face e o coração. Deixamos muitas vezes o nosso dia — e o dia de quem está ao nosso redor — mais difícil, triste e penoso.
Compartilhar é parte de viver em sociedade
Mas com o tempo, o orgulho cobra o seu preço: a solidão. Afinal, gente ranzinza suga energia! Você pode achar que, ao compartilhar algo que está sofrendo, poderia de alguma forma “contaminar” a outra pessoa com seus problemas — afinal, são seus, não dela. Mas é justamente o não fazê-lo, o ato de se achar o(a) todo(a)-poderoso(a), que acaba piorando as coisas. Você vira uma esponja, tira a felicidade dos outros, parece às vezes que a pessoa anda com uma nuvem preta sobre a cabeça.
Ao invés de ajudar, só atrapalha mais ainda. Por quê? Porque vivemos em uma sociedade — e viver em sociedade é também compartilhar! Com todo mundo? Claro que não, mas com aquelas pessoas que se fazem importantes na nossa vida. Nelas estamos ligados de alguma forma, seja por conta de trabalho, família, ou até mesmo para o lazer.
Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, é um ato de coragem. É reconhecer limites, aceitar nossa humanidade e permitir que o outro entre. Ninguém cresce sozinho. Ninguém caminha sem tropeços. Reconhecer isso é se libertar. Tenho certeza de que uma boa conversa, de quem sabe 15 minutos, seja suficiente para “mudar os ares” do dia, fazendo-o brilhar novamente.
Se está difícil, peça ajuda! Não se preocupe, pois a sua vez de ajudar também chegará. A vida é cíclica — uma hora em cima, outra embaixo — então precisamos aprender a viver a singularidade de cada um deles.
Um abraço e fiquem bem!
Rodrigo Bazzan – 12/05/2025

Rodrigo Bazzan
Psicólogo Clínico
“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung