uma reflexão sobre existir
Bom dia, boa tarde, boa noite, e assim vai! A gente acorda, corre, resolve, entrega, responde, tenta manter tudo funcionando. O celular vibra, o e-mail, pra quem é das antigas como eu, chama a atenção para algo importante, a agenda aperta, corre aqui, corre ali. Quando vê, o dia passou e a gente nem sabe direito o que viveu. Só sabe que tá cansado, que quer um banho, comida e depois cair na cama. E é aí que mora o perigo: passar os dias sem existir neles, e existir é muito mais do que fazer, de dar conta de tudo, ou pelo menos tentar.
Muito mais do que cumprir obrigações, é estar presente, é ter consciência do que está acontecendo agora. Muita gente vive no piloto automático, como se os dias fossem só pontes até o final de semana, até as férias, até algum futuro idealizado. E a gente vai deixando a vida passar, procurando esse tal “depois”, que nunca chega, ou quando chega não é suficiente, e assim, a vida real vai sendo deixada de lado.
A gente precisa aprender a existir no hoje, mesmo que o hoje esteja difícil. Não se trata de romantizar sofrimento, mas de estar inteiro, mesmo nas partes chatas ou pesadas. Porque só existe vida real no presente. Só dá pra sentir o agora.
Existir é mais que produzir
A sociedade empurra essa ideia de que valor está ligado ao que você faz, entrega ou acumula, produtividade, uau! Mas não adianta nada ser eficiente e não estar presente. Você pode bater metas, ganhar prêmios, ter reconhecimento, e ainda assim não estar existindo de verdade. Só está funcionando. E muito provavelmente funcionando para os outros, não para você.
E aí a conta chega, vem a consequência: cansaço, vazio, desânimo. Porque a alma da coisa se perdeu, está tudo muito sem sentido. E o corpo, sozinho, não aguenta isso por muito tempo. Por um tempo sim, mas não para sempre. Ele vai sim te dar um “tapinha”, um “presta atenção aí, meu!”
Existir também é se conectar
Outro ponto essencial é existir no coração dos outros. E isso, pelo menos para mim, é deveras importante! Estar presente nas relações que realmente importam. Ora, de que adianta conquistar o mundo se você deixa de existir para os seus? Se você se apaga nas conversas, se não se importa realmente com o que está passando com eles, se as trocas não acontecem mais?
Existir pra alguém é se fazer presente, mesmo que em silêncio, mesmo que à distância. É deixar marca, não por obrigação, mas porque se importa. Porque entende que amar também é existir ativamente na vida do outro, é adubar a relação para que ela cresça e floresça.
A vida pede presença, não só conquista
A vida não é só feita de metas e realizações, não pode ser! A vida também é feita de pausas e de momentos simples, e é neles que ela, a vida, pode ser sentida. De respirar sem pressa, de caminhar sem destino — o que pode ser um desespero para alguns de nós. De ouvir o que alguém tem pra dizer. De lembrar que você está vivo. Que você pensa, sente e deseja!
Tem muita gente se perdendo de si mesma por estar ocupada demais tentando provar valor. Mas o seu valor não está no que você faz. Está no que você é. E SER, meus queridos, exige tempo, presença, consciência e vontade!
Não adianta viver só pra adquirir, pra mostrar, pra vencer. Isso cansa, seca, afasta. A vida pede verdade. Pede presença. Pede você.
Não se apague em demasia, não se perca na correria, ainda que a vida seja assim por um tempo. Não vire só uma peça funcional de tudo isso. Pare e volte pra você, respire, olhe ao redor e esteja presente.
Porque o que mais importa no fim de tudo não é o que você tem. É o quanto você esteve ali, de corpo inteiro, alma aberta e coração presente.
Um abraço e fiquem bem!
Rodrigo Bazzan – 04/08/2025

Rodrigo Bazzan
Psicólogo Clínico
“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung