Só há presentes no presente!

uma reflexão sobre a necessidade de viver o agora

Adoro receber presentes, quem não gosta? Confesso que sou melhor em receber do que em presentear. Esse hábito não foi cultivado quando eu era criança, então, hoje preciso me policiar para não deixar, pelo menos, datas importantes em branco. De vez em quando, me dá um “estalo”, e então presenteio sem que seja uma data comemorativa ou algo do tipo.

Presentear é um Hábito Aprendido

Da mesma forma que amar, presentear precisa ser ensinado. Se isso for feito na infância, o processo de replicação do comportamento se tornará mais automático. Entretanto, na falta de exemplos, é provável que o adulto tenha muita dificuldade, tanto em presentear quanto em receber. Algo como: “Olha, lembrei de você, te amo, te quero muito bem!” pode, às vezes, se tornar constrangedor. Sem uma relação íntima com esse tipo de comportamento, ele pode parecer estranho quando acontece.

Treinando o Hábito de Presentear

Se você tem essa “pendência” e deseja mudar, treine presentear! A rotina muda o hábito. Presenteie mais rotineiramente, e o ato de presentear se tornará parte da sua vida. Não espere nada em troca, mas é provável que haja um retorno, afinal, quem recebe um presente se sente (ou pelo menos deveria) em dívida com quem o presenteou.

Ou você nunca disse “obrigado” ao ser presenteado? A palavra obrigado é uma abreviação de “me sinto obrigado a retribuir”, e de nada significa “você não é obrigado a nada”. A linguagem tem dessas simplificações. 😊

Só Há Presentes no Presente!

Tudo isso para chegarmos ao ponto dessa reflexão: só há presentes no presente! Ou você já deu presentes para o passado ou para o futuro?

O presente é o maior presente que podemos receber. Nele, a vida acontece. É no presente que podemos influenciar pessoas, mudar rotas e fazer o dia de alguém, se não mais feliz, pelo menos um pouco menos triste. No presente é que entregamos presentes.

Você pode planejar presentes para o futuro, mas eles só poderão ser entregues aqui e agora. Você pode se lembrar dos presentes do passado, mas eles não estarão mais lá, apenas nas suas lembranças.

O Tempo e a Efemeridade dos Presentes

“Ah! Bazzan, mas claro que eu posso ver um presente do passado. Olha essa camisa que eu ganhei no meu aniversário há oito meses!”

Sim, a camisa está aí, mas não é mais a mesma que você recebeu naquele dia. Você não sente mais aquela emoção primária do momento em que abriu o pacote e se deparou com a surpresa. É interessante, não? O presente pode até estar ali, mas a experiência já passou!

O Maior Presente: A Vida

Todos os dias, ao acordar — pois poderia não acordar —, você recebe um novo presente: a vida. Como você tem cuidado dessa dádiva? Há e sempre haverá um limite de presentes, e não falo de objetos ou gestos, mas do tempo, do momento, do Chronos.

“Mas eu preciso me planejar, não posso deixar minha vida acontecer sem me preocupar com o que pode acontecer no futuro.”

Não há problema nenhum em ser organizado e planejar o futuro. O problema é quando o futuro que você planejou ontem não é vivido hoje. Se isso acontece, a vida tem passado, você tem planejado, mas tem deixado o presente escorrer pelas mãos sem vivê-lo.

Sempre haverá algo a ser conquistado, o desejo humano é incessante. Mas de que adianta ter tudo se o presente não pode ser vivido? Tenha, mas seja e também viva. O presente é um presente.

Existem pessoas que não o têm mais, e, não por acaso, também não existem mais, aproveite cada presente que a vida lhe dá. Afinal, um dia os presentes acabam.

Abraços e fiquem bem!

Rodrigo Bazzan – 01/04/2025

Rodrigo Bazzan

Psicólogo Clínico

“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung

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