Não há crescimento sem dor, sem incômodo!
Memórias da Adolescência
Essa semana, lembrei de um tempo da minha adolescência. Sei que faz tempo, mas minha memória de longo prazo ainda está funcionando corretamente. Nesse caso, preocupe-se com a de curto prazo. Essa, sim, pode ser um sinal de alerta. No entanto, a de longo prazo não vai embora tão fácil.
Mas esse texto não é sobre memória, e sim sobre crescimento! Naquela época, na adolescência, senti por diversas vezes meu corpo doer, principalmente as juntas. Achei estranho e, por isso, perguntei ao meu pai, que é enfermeiro. Ele explicou que era normal, pois os ossos estavam crescendo e as juntas doíam por conta disso. Certo dia, enquanto assistia televisão, fui me levantar. Estava sentado no chão quando, de repente, meu joelho deu um estalo:
— Páááh! Que doooor!
Na hora, pensei: “Que diabos foi isso? Ah! Os ossos!” Lembrei do que meu pai havia dito. Felizmente, me recuperei quase que instantaneamente, a dor passou, e segui em direção à cozinha para procurar algo para comer. (risos) Adolescentes… sempre com fome!
Cuidado com o Conformismo
Crescimento não vem sem dor. Ou, pelo menos, se não for uma “doooor” intensa, ao menos um incômodo. Frequentando academias na minha saga por uma atividade física constante, vi a frase “No pain, no gain”, que, traduzindo, significa algo como: “Sem dor, sem ganhos” ou “Sem dor, sem resultados”.
Trazendo isso para a nossa vida adulta, é preciso atenção quando as coisas estão “legais” por muito tempo. Pode ser um sinal de acomodação: “Opa, vou estacionar aqui! Que paisagem linda!” No entanto, às vezes, a paisagem nem é tão linda assim, mas a tentação de “ficar de boa” é grande.
— Ah, já estudei demais. Vou parar este ano, depois eu continuo no ano que vem. — Nossa, estou tão cansado. Depois eu faço isso.
Aí, então, o “ano sabático” já se tornou quinquêni o sabático, e aquele “tempinho” de descanso custou 10 anos no mesmo lugar.
Não Há Problema em Descansar, Mas Ligue o Pisca-Alerta!
Descansar não é um problema. Aliás, o “ócio” faz parte da vida e é necessário. Afinal, você não é uma máquina! Então, quando for necessário e tiver condições, tire umas férias, viaje, fique em casa cuidando do jardim, dê comida para as galinhas, faça algo que fuja da rotina normal. Isso faz um bem danado para a mente.
No entanto, se o incômodo desaparecer completamente, fique atento! Pode ser que você esteja estacionado em um local inapropriado! E, então, começam as reclamações:
— Poxa vida! Nenhum sonho meu se concretiza! — Credo, que vida chata! Não aguento mais essa mesmice. — Queria fazer uma faculdade, mas não consigo! — Queria viajar, conhecer outros lugares. — Queria isso… Desejava aquilo… Pensei naquele outro…! Estacionado!
Entende? Para que as coisas aconteçam e nossos desejos se realizem, é preciso algum esforço, algum descontentamento, algum incômodo! Vamos pegar um exemplo:
— Quero fazer faculdade. Já sei até o curso que eu quero, mas não tenho dinheiro. Então preciso trabalhar também. Nossa, vou ter que fazer a faculdade à noite! Ixi, mas aí não vou dormir direito, vou ficar cansado. Que droga!
Bom, aí é uma questão de escolha, baby! O que você quer? Coloque na balança e pense de maneira lógica: ou enfrento isso, ou nada acontece! O quanto você realmente quer? O tempo não vai parar esperando você ter vontade de fazer algo. Passarão os mesmos 4, 5 anos… A diferença será: depois desse tempo, estarei formado ou ainda só com o desejo de começar?
Tudo na vida dá trabalho. Até para nascer dá trabalho! E depois que morre também. Para você, não, mas alguém vai ter que preparar o seu enterro! Então, sempre haverá algo a fazer.
O Futuro Depende das Nossas Escolhas
Esse é apenas um exemplo, mas há infinitos, principalmente no que se refere a crescer como indivíduo! Ora, se não tenho tempo para me dedicar a mim, para pensar sobre mim, se não consigo ler nada que preste, se fico no TikTok o dia inteiro me empanturrando de “recompensas imediatas”…
— Ah, que legal! — Olha esse outro… — Mais um só, depois eu paro… — Aaah, não acredito! Banheira de Nutella! Que cara doido!
O que esperar do futuro? Pelo menos que não haja reclamações.
Entendo que cada um deva viver a vida como bem entender. Afinal, ela é única. Cada um de nós tem uma única chance e, como dizia o falecido Antônio Abujamra: “A vida é sua, estrague-a como quiser”.
Mas, se você quer CRESCER, penso eu, com base em tudo que tenho experimentado e vivido… prepare-se! Haverá incômodo, haverá dor e lamento em determinadas situações, mas será muito gratificante, no meio da caminhada, olhar para trás e se deparar hoje com uma versão melhor de si mesmo. Não só para os outros, por conta dos outros, mas por VOCÊ!
Um abraço e fiquem bem!
Rodrigo Bazzan – 09/02/2025

Rodrigo Bazzan
Psicólogo Clínico
“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung