A última vez?

sempre haverá uma última vez para algo! tem percebido isso?

A última vez

Existiu uma última vez! Me encontrei com meus amigos na rua para jogar taco. Pelo menos aqui no interior de São Paulo é assim que chamamos. No meio da rua, duas latas, uma distante uns 30 metros da outra, posicionadas no centro, dois tacos (cabo de vassoura normalmente) e uma bola de tênis, ou alguma parecida. Pronto! Lá se iam quatro horas de brincadeira e muito exercício aeróbico. Bom, fizemos isso pela última vez em algum momento. Infelizmente, não estava atento e não me lembro quando foi. Mas, se soubesse que aquele seria o último jogo, com certeza teria aproveitado mais.

Quantas “últimas vezes” já se passaram?

Para mim, acredito que inúmeras. Lembro de algumas com pesar, outras com carinho e outras com bastante nostalgia. As que mais marcam, com certeza, foram os lutos. A última vez que conversei com um amigo que se foi muito jovem, falecido em um acidente de carro. A última vez que falei com meu pai, que morreu por conta de um infarto. A última vez que passeei com minha beagle aqui no Horto Florestal de Rio Claro. Ah, se eu soubesse! E essa é a questão: a gente nunca sabe!

Houve uma última vez que beijei minha esposa, que disse “te amo” para meu filho, que brinquei com meus gatos, que reguei minhas plantas, que dormi na minha cama. Bom, essas foram recentes. Para quem lê esse texto, isso tudo foi entre hoje e ontem. Pretendo realizá-las mais vezes. Me parecem mais próximas, mais fáceis de “controlar”. Ainda assim, isso é uma incerteza! Espero muito que não, mas posso não conseguir acabar de escrever esse texto. Ele pode ficar por aqui mesmo…

Ops! Cheguei na próxima linha. Assim é a vida: incerta e emocionante!

Viver com intensidade

Tendo em vista tais questões, ou nos sobram os lamentos, ou o desejo de aproveitar ao máximo nosso tempo, principalmente com as coisas e pessoas que nos interessam. Chega de ficar perdendo tempo com tolices, com gente que não agrega, que não quer estar com a gente! Chega de viver uma vida “mediana” em termos de sentimento!. Chega de ser medíocre no que diz respeito a viver. Viva como se aquele momento não fosse mais se repetir, porque, em uma hora ou outra, você pode se surpreender, e ele não ser mais possível.

O que está além do nosso controle

Há coisas que definitivamente não estão em nosso controle. É certo que quase nada está, mas algumas coisas estão bem longe do alcance das nossas mãos. Quando alguém se vai, não há volta! Sem mais repetição, ficarão as lembranças! Minha esperança é que não haja pendências, que não haja arrependimento de não ter aproveitado a presença em toda sua intensidade. Isso não só com relação à morte. Haverão amigos que se distanciarão e podem não mais voltar.

Um acidente pode acontecer comigo, e eu nunca mais andar, ou coisa pior! O que eu posso fazer para que isso não aconteça? Muito, muito pouco! Mas hoje eu posso correr, posso cheirar, posso olhar, escutar. Tenho todos os meus sentidos prontos e funcionando corretamente até então. Às vezes, só há falta quando nos damos conta de que acabou!

Recomeços são possíveis

Hoje, voltando da academia, lembrei que, em algum momento, houve uma última corrida. Hoje, ainda não consigo correr como antes, mas já consegui. E agora é meu novo objetivo: correr novamente! Para que aquela última vez, da qual nem lembro mais, não tenha sido a última! Havendo possibilidades de recomeços, faça! Diga “eu te amo”, reconcilie-se e fique bem juntinho de quem você ama!

Esse é um excelente remédio para a saúde mental. Lide de forma adulta com a verdade, ame e seja você mesmo!

Abraços e fiquem bem!

Rodrigo Bazzan – 17/02/2025

Rodrigo Bazzan

Psicólogo Clínico

“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung

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