O pomposo Canelone

O Preço de Bancar o Bonzão: Uma Lição em Curitiba

Uma noite decepcionante em Curitiba

Ainda pelas bandas de Curitiba, saímos para jantar. Era o dia dela, nossa gatona, minha esposa. Procuramos, obviamente, um lugar um pouco mais requintado para a celebração do aniversário. Fomos pelo Google Maps mesmo, procurando lugares legais próximos ao nosso hotel. Encontramos alguns indicados com $$$$$, outros com $$$$, e fomos em um com $$$. Coerente com a data e com o bolso.

Nos preparamos e, quando chegamos, era mais ou menos 19h30. Deixamos o carro no estacionamento e nos dirigimos à entrada. Lugar aparentemente normal, nada que saltasse muito aos olhos. Entramos!

Primeiras impressões

Dei de cara com uma foto de uma apresentadora famosa, aquela do louro, juntamente com o que pude entender depois ser o dono do estabelecimento. Olhei ao redor e vi muita gente conhecida pelas paredes: Felipão, alguns políticos, dentre outras celebridades. Dentro, tudo muito chique. Mesa bonita para 3, e nos sentamos.

Uma observação aqui: minha esposa, quando acha que o valor é caro, depois de olhar o cardápio, não faz cerimônias. Levanta, diz “muito obrigado” e vai-se embora. Nessa data, eu pedi que, por favor, não fizesse isso, pois o rapaz aqui fica deveras constrangido.

O cardápio e a decepção

Olhamos o cardápio. Bem, vocês já devem imaginar que $$$ era bem caro. Imagine se a gente tivesse ido no $$$$$. Recebo um olhar da minha esposa com um sorriso no rosto, como quem diz: “Você tem certeza que quer ficar?” Aceno com a cabeça, tentando manter a pose em sinal de positivo. Estávamos em 3. Segundo o garçom, os pratos serviam tranquilamente duas pessoas. Pedimos, então, somente 2 pratos: duas massas.

Uma chamada “Folia” de não sei o que – não me lembro mais, a lembrança deve ter sido recalcada. 😊 O outro prato, um canelone simples. Fizemos a nossa folia com o primeiro prato, que, de dois, precisou servir a três. Quando terminamos, todos com cara de “ué, só isso?”. Nada de mais. Na sua casa, tenho certeza de que faria algo semelhante, senão melhor.

Que venha, então, o tal canelone. Depois de provar, meu Jesus! HORRÍVEL!

Comecei a comer. O recheio era de carne, com um tempero esquisito. E olha que eu como até pedra com sal. Olhei para minha esposa, já com uma cara de “odiei”. Meu filho já colocou de lado: “Estou cheio.” Imagina a tristeza do psicólogo que lhes fala. Obviamente, por conta do preço, sob os olhares de protesto da minha esposa – “Para que isso? Vai lhe fazer mal!” –, comi o prato inteiro. Acho que foi a pior massa que eu já comi na vida. Decepção!

Lições aprendidas

Esse é o preço que se paga por acreditar de imediato, sem questionamento, por comprar uma ideia sem analisar previamente os fatos. Claro que, de toda experiência, a gente aprende algo. Nessa, eu aprendi que deveria ter levantado e ido embora, como minha esposa sugeriu, deixando de ser trouxa e pagar de bonzinho.

Tomei minha água tônica, pedimos a conta – 😱 ($$$$$$$$$) – e fomos embora. O valor da conta daria para 3 pessoas comerem um rodízio na melhor churrascaria aqui de Rio Claro, com bebida e tudo, tranquilamente. “Never more!”

Coisas a aprender:

  1. Se você for bancar o bacana, como eu fui, o preço pode sair um pouco mais caro do que você imagina. Eu não preciso disso e acredito que você também não.
  2. As pessoas são boas em enganar. O marketing é excepcional para lhe dizer: “Olha quem come por aqui. Óbvio que a comida é boa.”. O que é bom para o outro poder ser terrível, quase que insuportável para você.
  3. Valorize sua comida. Não tem nada melhor do que chegar em casa e comer a sua comida. O seu arroz, feijão e ovo frito não têm em lugar nenhum. E foi o que fizemos aqui em casa quando chegamos. Que delícia! 😊

Finalizando com um dito popular:

“Por fora, bela viola; por dentro, canelone fedorento.”

Rodrigo Bazzan – 09/03/2025

Rodrigo Bazzan

Psicólogo Clínico

“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung

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