uma reflexão sobre o impacto de outras pessoas na convivência
Pode não parecer, mas essa frase tem tudo a ver com psicologia. Às vezes, essa influência pode ser benéfica, outras vezes preocupante. Por isso, é preciso estar atento e se perguntar: o quanto tenho me deixado influenciar pelas pessoas ao meu redor? Essa influência tem sido saudável ou não? Tem produzido vida ou tem, pouco a pouco, me empurrado ladeira abaixo?
Somos esponjas desde o nascimento
Desde pequenos, aprendemos imitando. Uma criança copia instintivamente tudo o que vê, principalmente das pessoas mais próximas. Pais, avós, irmãos, tios e tias são espelhos. Mas, no caso da criança, ela não tem muita opção—tudo entra goela abaixo, e a vida vai se encaminhando, às vezes de maneira saudável, às vezes não.
Já enquanto adultos, na maioria das vezes, podemos escolher com quem nos relacionamos. E entenda “relacionamento” aqui como algo mais profundo, não apenas as interações triviais do dia a dia. Relacionamento envolve contato, convivência, intimidade e tempo.
A influência da convivência
Vou dar um exemplo simples, que acredito que todo mundo já tenha vivenciado em algum momento: imagine que você é do interior de São Paulo e resolve passar umas férias em Minas Gerais. Quanto tempo você acha que levaria para começar a chamar tudo e qualquer coisa de “trem”? 🤣 Vá para o Sul e, sem perceber, o sotaque característico e cantado entrará no seu vocabulário sem pedir licença. A segunda pessoa do singular, quase inexistente no interior paulista, é uma característica marcante no Rio Grande do Sul!
E você? Você se molda facilmente sem questionar? Afinal, relacionamento implica afinidade—e quanto mais afinidade, maior a influência. Esses são exemplos bobos, mas ilustram bem como nos adaptamos ao meio. Na adolescência, isso é ainda mais comum. Há uma necessidade de pertencimento e de encontrar uma identidade, e ceder às características do grupo pode parecer essencial.
Nem todo relacionamento precisa ser mantido
Mas, enquanto adultos, precisamos estar atentos. Nem tudo que reluz é ouro, e nem tudo que todo mundo gosta é bom para você. Já dizia sua mãe: você não é todo mundo!
Haverá pessoas com comportamentos incompatíveis com seu modo de vida, outras tidas como descoladas, desprendidas—às vezes com uma moralidade questionável. Se isso não tem nada a ver com você, afaste-se! Será melhor para ambos. Se alguém tem um comportamento que lhe machuca, ainda que seja próximo, afaste-se. E, o mais importante: se começar a perceber que não está sendo mais você mesmo, que sua visão moral, ética e afetiva está sendo contaminada, afaste-se!
Procure pessoas que o façam crescer, que se alegrem com suas conquistas—não apenas as materiais, mas sobretudo com seu crescimento enquanto ser único e vivo.
Todo ser humano é especial, todos têm seu valor. Mas, se em algum momento você perceber que há algo errado, acenda o alerta e observe!
Rodrigo Bazzan – 17/03/2025

Rodrigo Bazzan
Psicólogo Clínico
“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung