O poder da gentileza x frustração

uma reflexão sobre essas duas possibilidades

Assim como eu, imagino que, se não todos, a grande maioria de nós se dá muito melhor com a gentileza do que com a frustração. A primeira é muito bem-vinda quando recebida, desejada! É verdade que tem gente um pouco mais “brutinha”, que ignora o processo de ser gentil, mas, no quesito ser tratado com gentileza, é o que todos querem. Afinal, como tenho dito, ninguém consegue se defender de um benefício! Deveríamos? Havendo um olhar mais atento, talvez sim!

A Importância da Experiência

Eu pago caro pela gentileza, se for preciso! Isso no que diz respeito a ser bem atendido. Se vou a um lugar para tomar um café, por exemplo, e sou mal atendido, mesmo que seja o melhor café do mundo, não volto! Prefiro um lugar onde a qualidade do “produto” seja mediana, mas a experiência, o contato, o papo sejam bons, gerem sorrisos e me façam sentir bem. Havendo a possibilidade, entrego esse cuidado de volta para que a experiência fique completa e todos se beneficiem do encontro.

Por outro lado, se não sou bem atendido, não retribuo na mesma medida. Me calo, termino e saio para deixar aquele momento desagradável no passado. Afinal, não saímos para tomar um café, mas para viver!

Dois apontamentos importantes aqui:

  1. Às vezes, o dia não “colabora” e o encontro não sai como esperado. Então, havemos de amenizar a culpa. O(a) atendente pode estar passando por algum problema sério e, justo naquele dia, deu de cara com você, que esperava ser bem atendido.
  2. Você não é o Buda (pelo menos imagino que não) e não tem controle nem noção sobre o que está realmente acontecendo. Ficando apenas com o sentimento de frustração.

A Frustração e a Fantasia da Vida

Perceba! Sentimento! Logo, sentiu na “pele” o descontentamento, a frustração por não ser bem atendido e tem total direito de pôr um basta nisso. Só não retribua. Afaste-se. Talvez seja melhor tentar outro dia ou então não voltar mais. Frustrar-se faz parte da vida. É com base na expectativa que temos, que ela acontece e tem “tamanho”. Afinal, quanto maior a expectativa, maior será a frustração caso ela não se concretize.

Sabe aquele ditado? “É dando que se recebe!” Pois bem, às vezes ele não acontece. Você entrega e fica com cara de “ué?”. Não retribuir como quem busca vingança é o que se espera de um adulto equilibrado. Só crianças mimadas arremessam o que lhes foi dado quando frustradas, geralmente quando são bem pequeninas e recebem roupas no lugar de brinquedos no Natal.

Adultos não! Você já tem capacidade cognitiva suficiente para entender a frustração, seja ela qual for.

A frustração tem a ver com a minha fantasia sobre como o mundo funciona! Algumas vezes, por conta de um passado perturbador onde fomos grandemente “destroçados”, acreditamos que a vida tem obrigação conosco em alguma forma de compensação por toda dor que sofremos.

Mas não é assim que funciona. A vida por si só, essa coisa aleatória e sem controle que acontece diariamente com todos nós, se mostra um pouco indomável (risos) e me aparenta, pelo menos até agora, com os meus 45 anos de idade, pouco preocupada com o que eu sinto ou deixo de sentir.

A Ilusão da Reciprocidade

É provável que gentileza gere gentileza? Sim, muito provável, mas nem sempre!

E não fique assustado com isso. A questão tem muito mais a ver com como você reage à frustração do que com o motivo pelo qual ela aconteceu ou, ainda, se deve ou não continuar sendo gentil. Afinal, ninguém é gentil o tempo todo.

Mas a pergunta que se faz é: como você quer ser?

Como você quer ser lembrado? Como aquele(a) atendente que, naquele dia, estava azedo(a) semelhante a um suco de limão com tamarindo? Ou como alguém que sabe lidar com suas próprias frustrações de maneira adulta?

Conclusão: Persistência e Crescimento

Bem, essa é a lição que tenho aprendido com tais acontecimentos. Não foram poucos e não serão os últimos, mas, a cada experiência semelhante, me sinto menos abalado. Às vezes, retorno. Às vezes, me afasto. Mas entendo que nem todo dia a gentileza do “lado de lá” estará presente. Ainda assim, me mantenho sóbrio, compreensivo e gentil na medida que me permitem ser.

Não faça esperando algo em troca! Diminuindo a “fantasia”, a frustração será menor e, havendo gentileza, um pico de satisfação ocorrerá com a surpresa por ser correspondido. Gentileza e frustração parecem caminhar juntas! (risos). Seja forte, persistente, cresça, seja um adulto capaz!

Se a gentileza nem sempre volta, a frustração também não precisa ficar.

Abraços e fiquem bem!

Rodrigo Bazzan – 28/03/2025

Rodrigo Bazzan

Psicólogo Clínico

“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung

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