será que eu realmente percebo o mundo ao meu redor?
São 05h00 da manhã. É sábado!
Acordo cedo para ir em direção a uma trilha na mata, junto da minha fiel companheira de orelhas caídas e faro indescritível. Sigo então o caminho, ainda de carro, com ela no banco do passageiro ao meu lado, a janela aberta e o vento batendo no rosto.
Próximo ao local de mata, o ar se transforma — é gelado, demonstrando o frescor da manhã e aquele cheiro característico de mato. Paz!
Trilha, liberdade e conexão
Saímos do carro e entramos na trilha. Começo a observar atentamente cada detalhe. Era uma oportunidade única na semana: sem regras, sem tempo, sem compromissos. Eu comigo mesmo — ou melhor, eu e minha companheira.
Andávamos cerca de 9 km nessa trilha, por volta de 2h de caminhada, observando tudo. Ela cheirava a floresta, fuçava em cada canto, bebia água do riozinho que existe bem no meio do caminho.
Detalhes que poucos notam
Observo as pequenas flores no meio do mato, desapercebidas pela maioria — amarelas, vermelhas, rosas, de todas as cores — com insetos tentando capturar néctar e, consequentemente, polinizando-as.
No chão, formigas de vários tipos, variando em tamanho, espécie e quantidade. Encontro pela primeira vez um espécime de formiga-feiticeira totalmente preta, com manchas amarelas no abdômen, simplesmente linda. Ainda bem que não a toco, pois sua picada é extremamente venenosa e dolorida. Respeito e apenas observo.
Me deparo com árvores caídas pela chuva e outras centenárias ainda de pé. Olho para cima e me perco ao tentar encontrar o final das folhas. Lá em cima, o sol ofusca minha visão.
Percebo o zumbido das abelhas trabalhando com afinco em uma determinada parte do trajeto. Aranhas fazem suas teias nas margens, capturando um “azarado” inseto ou outro.
Companhia perfeita
Com o passar do tempo, o dia se apresentando, o calor começa a ficar mais evidente. Paro, respiro, bebemos um pouco d’água e então continuamos.
Não descanso os olhos em perceber o ambiente, em aproveitar a presença da minha amada parceira de trilha. Trocamos olhares a todo momento, conversando — eu em português e ela em “cachorrês”. Nos entendemos muito bem. Já se vão alguns anos juntos nessa caminhada.
Um presente da natureza
O caminho termina. Paramos um pouco para descansar em uma sombra, mais um pouco d’água, e seguimos em direção ao retorno para casa.
De repente, mais um presente: um filhote de tatu sai correndo da mata e passa bem na nossa frente, e se embrenha novamente. Mel me olha como quem diz: “— O que foi isso?”
Eu respondo: “— Você viu aquilo? Caramba, que legal, um tatu!”
E então vamos embora.
Nesse dia, percebi a vida como ela merece ser percebida, nesse dia vivi como deveria!
Abraços e fiquem bem!
Rodrigo Bazzan – 10/04/2025

Rodrigo Bazzan
Psicólogo Clínico
“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung