uma reflexão sobre a felicidade
Ora ou outra, a felicidade sempre vem
Mas tem um detalhe importante que muita gente esquece: a alegria também não é eterna. E é bom, necessário que seja assim, porque é justamente por isso que ela precisa ser vivida quando chega. Como aquela visita que não avisou que vinha, mas você gosta tanto de ver, que não se importa com a bagunça da casa. A felicidade, às vezes, vem assim: sem hora marcada. E quando vem, a gente precisa abrir a porta com vontade.
Felicidade é presença, não permanência
Na maioria das vezes, ela chega disfarçada. Está em pequenos detalhes que só os olhos atentos conseguem enxergar. Uma conversa boa depois de um dia difícil. O abraço de alguém que você nem sabia que precisava, o silêncio de um domingo qualquer. Ou mesmo o cheiro de chuva na janela. Não esqueçamos da risada boba que escapa sem motivo. Tem felicidade que vem de mansinho, só pra ver se a gente está prestando atenção.
Mas eu bem sei, sejamos honestos, tem dias que nada brilha. É como se o mundo inteiro tivesse sido pintado com uma só cor, cinza. Nessas horas, a gente se pergunta: “– Quando será que isso vai passar?”, mas como tudo na vida, passa, tudo passa, até uva! (Risos). Até a dor que a gente achou que nunca ia suportar, o buraco no peito que parecia não ter fundo. A gente aprende e passa também a ideia de que ser feliz é uma linha reta, e, meu querido, minha querida, não é mesmo!
Aprender a acolher tudo o que vem
A felicidade não é constante, mas deve ser recorrente. Ela aparece de vez em quando, como aquela música que você não ouvia há anos e, de repente, toca no rádio e te faz sorrir. E, quando isso acontecer, por favor, dance. Faça como esse “paralelepípedo” que vos escreve, que não tem o mínimo jeito para dançar, mas que mentalmente, às vezes, se imagina arrebentando no “passinho”. Mesmo que por dentro, mesmo que por cinco minutos. Viva aquilo como se fosse eterno, sabendo que não é.
A grande armadilha é esperar que ela dure para sempre. Isso cria ansiedade, frustração e até uma espécie de medo: o de perder algo que ainda nem se foi. Quem tenta “prender” a felicidade acaba sufocando a experiência. É como fechar a mão com força para segurar a água — quanto mais aperta, mais escapa. Já percebeu?
Por isso, aprenda a acolher. A alegria e a tristeza. O riso e a lágrima. O dia claro e o céu nublado. Tudo tem seu tempo. E nesse vai e vem da vida, a felicidade sempre volta. Não como antes, talvez, mas volta, sempre volta. A questão é: você vai estar disposto a vivê-la de verdade quando ela chegar?
Se for pra dar um conselho (e me permitam), é esse: quando a felicidade aparecer, ainda que por um instante, se permita sentir. Não duvide. Não questione. Apenas viva. Porque ela nunca vem em vão e, ora ou outra, ela sempre vem.
Um abraço e fiquem bem.
Rodrigo Bazzan – 25/05/2025

Rodrigo Bazzan
Psicólogo Clínico
“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung