O Difícil Seguir em Frente

uma reflexão sobre recomeços

Era um dia de sol como outro qualquer, a correria do dia a dia imperava novamente, ele sai para o trabalho todo estabanado ainda sem tomar seu café da manhã. Enfrentou o trânsito enlouquecedor até que finalmente chegou. Sentou-se em sua cadeira como de costume, suspirou! Ufa!

Minutos depois foi chamado pelo RH da empresa: “— Não precisamos mais dos seus serviços”, disseram!

Recolheu suas coisas, e foi acompanhado pelo segurança até a porta da empresa, essa na qual trabalhara por 20 anos seguidos: “E agora? o que eu vou fazer?”, “Já tenho quase 50 anos, onde vou trabalhar?”. O medo surge como protagonista da situação, a raiva o toma por completo. Os dias passam e então a ficha cai, não há outra opção, é preciso que algo seja feito, a vida não quis saber sobre seus problemas, sobre suas questões, ela seguiu e ele também precisa seguir em frente.

O peso e o medo do recomeço

Recomeçar. Só quem já teve que fazer isso na vida sabe o peso e, ao mesmo tempo, a potência dessa palavra. Recomeçar assusta, e não é pouco, dá frio na barriga, ativa nossos medos mais profundos: o medo de fracassar de novo, o medo de não dar conta, o medo de estar sozinho, o medo de não ter mais tempo, o medo de nos acharem incompetentes. E ainda assim, recomeçar é muitas vezes a única opção para continuar vivendo.

Recomeçar envolve renúncia e luto

Ninguém recomeça porque quer, todos nós gostamos de um lugar “quentinho” e “aconchegante” para estar, na questão do recomeço, o fazemos porque precisamos, porque fomos obrigados! Porque perdemos, porque fomos feridos, porque erramos, porque tudo desmoronou, ou porque percebemos, no meio do caminho, que não era mais ali que queríamos ou deveríamos estar. Recomeçar envolve renúncia. É abrir mão de algo que já não serve mais, mesmo que tenha sido importante um dia. E esse processo dói um bocado!

O que quase ninguém fala é que recomeçar também traz luto, ele vem no pacote. Luto daquilo que não deu certo, das expectativas que não se concretizaram, das pessoas que ficaram pelo caminho. Às vezes é um casamento que acabou, um emprego que foi perdido, uma amizade que se rompeu, um sonho que não se sustentou. Tudo isso exige uma despedida interna, uma reflexão sobre as frustrações implicadas, antes que o novo possa, de fato, começar.

A força silenciosa da coragem

Mas há algo de profundamente corajoso em quem decide recomeçar. É um ato de resistência contra o abandono de si mesmo. Porque, mesmo com medo, com dor, com dúvidas, essa pessoa decidiu não parar, mas sim continuar. E isso é força. Não aquela força barulhenta de quem bate no peito dizendo que está tudo bem, mas aquela força silenciosa de quem acorda e tenta mais uma vez. Pode até parecer que não havia outra escolha, mas sempre há! Há sempre a possibilidade de desistir, se você não o fez, parabéns!

Recomeçar é um voto de confiança na vida. Um passo na direção do que ainda não sabemos, mas sentimos que pode ser melhor. É preciso aceitar que o passado já não pode ser mudado, ele só pode ser compreendido, sentido e, em algum momento, deixado no lugar dele: atrás. E também entender que não temos o domínio sobre tudo o que acontece, mas sim, apenas uma parte, e que o futuro só se constrói quando a gente para de se agarrar ao que passou.

E então…

Quem recomeça aprende a se olhar com mais compaixão, com mais amor, seja em direção ao próximo ou a si mesmo. Aprende que errar não define ninguém, que isso é parte inerente da vida. Aprende que cair e levantar é um ato de amor-próprio. Aprende que viver é, na verdade, recomeçar várias vezes. Não tem manual, não tem fórmula. Só se vive uma vez e na grande maioria das vezes, quase tudo é uma tentativa, uma escolha e uma pitada de coragem.

E se você está nesse momento de recomeço, saiba: você não está só, e isso não é uma frase de efeito, um clichê, mas a pura verdade. Tem muita gente recomeçando agora, com medo, com dúvidas, mas com vontade de viver algo novo. É isso que importa. Então para cada recomeço que precisar realizar, comece pequeno, um passo de cada vez, um dia por vez. E, quando menos esperar, o novo já terá criado raízes. Força!

Um abraço e fiquem bem!

Rodrigo Bazzan – 30/06/2025

Rodrigo Bazzan

Psicólogo Clínico

“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung

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