uma reflexão sobre a necesidade de expressar os sentimentos
“Homem não chora.”
“Engole esse choro!”
“Vai chorar por isso? Tá de frescura?”
Quem nunca ouviu esse tipo de coisa? Essas frases ainda ecoam em muitos adultos hoje, estão enraizadas na nossa educação, na forma como muitos de nós foram ensinados a lidar com a dor, com a tristeza, com a frustração. Crescendo acreditando que chorar é um sinal claro de fraqueza, que mostrar emoção é sinônimo de vulnerabilidade, e que ser forte é aguentar tudo calado, mesmo que internamente a coisa esteja muito mais bagunçada.
Chorar é biológico, é humano, é saudável
Mas isso é mentira! Chorar não é sinal de fraqueza. É descarga emocional, é comunicação do corpo, é saúde. O choro alivia tensões, organiza sentimentos, expressa algo que às vezes nem conseguimos colocar em palavras. Ele é um recurso humano, biológico, psicológico. Ignorá-lo é negar algo essencial em nós, negar que evoluímos e ele permaneceu conosco.
E chorar não é só lacrimejar, é um estado de descompensação na tentativa de encontrar o equilíbrio. Lacrimejar nos primatas é uma das características marcantes desse estado de choro, de lamento. Os elefantes também lacrimejam, mas você já ouviu um cachorro chorar? Não há lágrimas, mas é possível sentir a dor a “quilômetros” de distância. O choro é expressão necessária.
O primeiro grito é o mais importante
Nascemos chorando para indicar o desconforto que estamos sentindo ao sair do útero. “Quem não chora não mama!” é uma frase de enorme sabedoria popular, afinal, quando a criança recém-nascida chora, o primeiro instinto é amamentar. Depois, caso não cesse, os pais procurarão outras possibilidades: frio, cólica, sono etc.
O problema é que muita gente ainda se orgulha de “nunca chorar”. Principalmente os homens, pressionados desde pequenos a manterem a pose, a serem durões, a não demonstrarem sentimentos. Só que essa “força” é falsa. Porque o que não sai, acumula. O que não se expressa, adoece. E é por isso que temos tanta gente dura por fora e despedaçada por dentro. Completamente despedaçada!
Não estou dizendo que chorar por tudo é solução. Há, sim, um desequilíbrio quando a emoção domina completamente a vida. E isso precisa ser observado com cuidado. Tem gente que se entrega demais à dor, se afoga no drama, se perde na tristeza. O equilíbrio está em saber reconhecer o que se sente, expressar quando for preciso e seguir em frente depois.
Quem se conhece, se permite sentir
Nem suportar tudo como se nada tivesse acontecido, nem explodir sempre. Espera-se equilíbrio. Isso sim é maturidade emocional.
Quem nunca chora não é forte, mas sim travado. Mas quem chora o tempo todo também não necessariamente é frágil, pode estar só pedindo socorro. A verdadeira força está em se conhecer o suficiente para não se esconder de si mesmo.
Se te ensinaram que chorar era vergonhoso, principalmente para nós homens, desaprenda. Se te disseram que engolir o choro era maturidade, repense. A vida exige coragem. E chorar, às vezes, é um dos atos mais corajosos que alguém pode ter.
Não se orgulhe por não sentir
Tem gente tão “enroscada” que não consegue chorar nem de alegria, o que é uma pena, uma perda sem medida! Você não é especial porque não chora, você é especial porque é único, ainda que se pareça muito com uma pedra no que tange a expressar o que está sentindo.
Lembre-se: você nasceu, tomou uns tapinhas e chorou! Era o que todo mundo esperava, e todos se alegraram quando te ouviram chorar.
Parou por quê? Tá na hora de melhorar esse seu modo de se expressar!
Um abraço e fique bem!
Rodrigo Bazzan – 01/07/2025

Rodrigo Bazzan
Psicólogo Clínico
“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung