E quando não houverem mais carros?

Uma reflexão sobre o mundo passado e o contemporâneo

Na semana desse texto, não me lembro exatamente o dia, me deparei com o seguinte pensamento: “As ruas… que coisa interessante!”. Pode parecer estranho, mas esse pequeno insight me levou a algo muito maior, e acho que vale compartilhar.

Se voltarmos algumas décadas, as ruas que conhecemos hoje — asfaltadas, iluminadas, com faixas pintadas e placas indicando direções — simplesmente não existiam. Eram caminhos de terra, marcados pelo uso constante das carroças e dos cavalos. Um pouco mais no passado, nem mesmo a ideia de ruas bem definidas e quarteirões delimitados existia. Não havia essa geometria tão familiar aos nossos olhos. Se continuarmos retrocedendo na história, chegaremos a um tempo em que a preocupação com caminhos praticamente não existia.

Como tudo acontecia?

E então, como as pessoas chegavam onde queriam? Ou você era um desbravador, que mirava o sol, calculava mentalmente a direção e seguia adiante sem garantias, ou precisava que alguém que já tivesse feito aquele trajeto o guiasse. E, nesse caso, você precisava observar atentamente, gravando cada detalhe, cada árvore ou pedra que pudesse servir de referência, para, quem sabe, conseguir repetir o caminho depois.

Isso me faz pensar que, de certa forma, as pessoas de antigamente eram mais corajosas. Não tinham medo de se perder, e quando isso acontecia, não viam como um fracasso, mas como parte natural do processo. Descobriam que aquele trajeto não levava onde esperavam, ou, quem sabe, eram presenteadas com algo inesperado: um novo lugar, um cenário diferente, um ponto no mapa que nem sabiam que existia.

Uma questão de coragem

Claro que não dá para romantizar tudo, a vida era muito mais dura e perigosa, mas, é inegável que havia uma coragem escondida no simples ato de seguir sem ter certeza do que viria pela frente. Basta lembrar de um certo Pedro Álvares Cabral. Problemas, ele tinha de sobra, mas medo de se lançar no desconhecido não parece que era um deles.

Hoje, vivemos cercados de mapas, GPS e rotas calculadas com precisão de segundos. Isso nos traz segurança, mas também nos tira, aos poucos, a habilidade de improvisar, de arriscar, de experimentar novos percursos. Ficamos presos ao conforto do conhecido.

Autoanálise

Talvez seja hora de resgatar um pouco dessa ousadia antiga. Não necessariamente para cruzar oceanos, mas para ter coragem de abrir novos caminhos em nossas próprias vidas. Seja mudando a forma como fazemos nosso trabalho, explorando ideias diferentes, ou simplesmente permitindo-nos seguir por uma rota que não conhecemos. Porque, no fim, não são apenas as ruas que nos levam a novos lugares, é a coragem de sair do caminho já traçado que nos leva a novas possibilidades.

E quando não houverem mais carros, siga de barco, a cavalo ou vá a pé mesmo, crie seus próprios caminhos. Haverá uma chance bem maior de que algo bom aconteça se você estiver em movimento, procurando por novos lugares, novas possibilidades. Então me diga, quais lugares desconhecidos já encontrou? Coragem!

Um abraço e fiquem bem!

Rodrigo Bazzan – 15/08/2025

Rodrigo Bazzan

Psicólogo Clínico

“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung

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