Caráter de micro-ondas

uma análise sobre qualidade da informação consumida via internet e redes sociais.

O Tempo da Relevância: Apenas 15 Segundos?

Quinze (15) segundos. Esse é o tempo que o algoritmo de uma famosa rede social usa para determinar se um tema é relevante e, então, exibi-lo para mais pessoas. Isso não tem a ver com a qualidade do conteúdo, mas sim com o tempo médio que os usuários conseguem manter a atenção em determinado assunto. Ou seja, se algo retém a atenção por 15 segundos, o algoritmo entende que é “extremamente relevante” para todos.

O Imediatismo Está Nos Moldando

Isso é alarmante! O imediatismo está sendo imposto a todos nós, e a cada dia nos tornamos mais impacientes. O que realmente conseguimos aprender em 15 segundos? Nada, absolutamente nada! Estamos sendo moldados sem perceber. Nada é suficiente. Nem mesmo os assuntos que antes nos interessavam conseguem prender nossa atenção. Não temos mais paciência para nos aprofundarmos e consumirmos conteúdos de maneira significativa.

A internet é uma ferramenta incrível, com uma quantidade sem precedentes de conteúdo gratuito e acessível. No entanto, essa enxurrada de informações acaba não se transformando em conhecimento. Muitos de nós estamos viciados em pequenas doses de dopamina de 15 segundos, e esse ciclo pode se repetir por horas, sem que percebamos que estamos consumindo… absolutamente nada!

O Que Você Está Absorvendo?

Quando foi a última vez que você leu um livro? Assistiu a um documentário sobre um assunto que lhe interessava? Até os filmes estão perdendo espaço, pois uma série consegue prender a atenção do público por muito mais tempo – dias, semanas ou até meses.

Querem que você fique dependente! Isso é evidente. As redes sociais querem que você seja um consumidor constante, de qualquer coisa que gere receita. Seja de forma imediata ou a longo prazo, o objetivo é prender sua atenção e criar um nicho de mercado para você consumir cada vez mais.

O que você consome molda você! Não há como fugir disso. Você não consegue simplesmente se desligar, mas pode tentar, com algum esforço e mudança de hábitos, se tornar mais consciente sobre o que está absorvendo. Quanto tempo você passa nas redes sociais? O que está assistindo? Se a maioria dos vídeos que vê não prende sua atenção, talvez seja hora de buscar algo mais relevante, em vez de oferecer seu tempo de bandeja para os algoritmos.

Você Está No Controle ou o Algoritmo?

Só 15 segundos? Mas quantos deles você já gastou? Faça as contas! Esse tempo poderia estar sendo usado para algo produtivo, que promovesse seu crescimento pessoal. Se o que as redes sociais lhe oferecem não lhe interessa, pare de consumir passivamente e busque algo que realmente agregue valor à sua vida. Você não é mais uma criança para agir como tal!

Esse é um mecanismo que, ao meu ver, logo entrará em colapso. Não esteja dentro desse sistema quando isso acontecer! O grande diferencial no futuro será a capacidade de pensar, refletir e tomar decisões por conta própria. As redes sociais não querem isso. Elas dizem:
“Não pense, apenas consuma. Imaginar para que? Já está tudo pronto! O que assistir, eu já escolhi para você.”

Pare e pense: quanto tempo do seu dia está sendo sequestrado por essa enxurrada de estímulos rápidos? O que você está realmente absorvendo? Seu tempo é valioso, e se você não decidir conscientemente como usá-lo, alguém fará isso por você. Talvez seja hora de desacelerar, escolher melhor o que consome e retomar o controle sobre sua atenção. Afinal, quem dita o ritmo da sua vida: você ou o algoritmo?

Infelizmente, por um bom tempo, veremos mais pessoas vazias, com caráter frágil, embaladas por essa necessidade de dopamina a cada 15 segundos (e esse tempo ainda vai cair). Nada será suficiente. Tudo parecerá maçante, cansativo e sem sentido.

Que tipo de caráter esperar de pessoas assim? Somente aqueles de micro-ondas: “uma hora sou algo, logo depois de esquentar, já não sou mais”.

Cuidado!

Abraços e fiquem bem!

Rodrigo Bazzan – 24/03/2025

Rodrigo Bazzan

Psicólogo Clínico

“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung

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