uma reflexão sobre a verdade do ser
Quem é não precisa dizer
Tenho certeza que você já se deparou com aquele tipo de pessoa que fica dizendo que é muito boa nisso, que é muito boa naquilo, muitas vezes até criticando a vida dos outros, como se tivesse as respostas certas para todo mundo.
São pessoas um tanto quanto… eu diria, prepotentes, e puxando um pouco para a psicologia, há uma necessidade extrema de autoafirmar-se!
A dúvida é tamanha que a pessoa precisa repetir isso várias vezes para si mesma, ainda que esteja falando com outras pessoas, para então acreditar no que está dizendo.
Mascaradas, vivem uma vida de mentira, na maioria das vezes, com o ego frágil, fazem esse tipo de compensação para esconder que, na verdade, não chegaram nem perto daquilo que dizem ser.
O reconhecimento verdadeiro não precisa ser forçado
Quem é, não precisa dizer, simples assim. Se terminasse o texto por aqui, o pensamento já estaria compartilhado. Eu nunca vi um gato precisar ficar gritando: “Olha, eu sou um gato!”, ou então um cachorro dizendo que é um cachorro.
Por mais que essas pessoas insistam em afirmar algo que não são, e talvez até por um tempo consigam fazer os outros, e a si mesmas, acreditarem, uma hora a verdade vem à tona.
Vamos tomar como exemplo a humildade? Uma pessoa realmente humilde não sai por aí dizendo: “Nossa, eu sou uma pessoa humilde…”, porque, se assim fizer, de imediato já estará levantando uma questão muito importante, o orgulho por ser humilde, e, nesse contexto, a humildade desaparece! Quem é humilde de verdade, não precisa dizer.
A ilusão do reconhecimento imediato
Esse conceito que a sociedade criou de vangloriar a si mesmo me parece muito torto, sim, torto, para mim, não faz sentido nenhum.
Ah, você precisa amar a si mesmo, precisa acreditar em si mesmo, deve ser o centro da sua vontade, não deve depender de ninguém… Interessante, mas a que custo?
O que me vem à mente agora é que estamos criando deuses de nós mesmos, competindo com os deuses dos outros, como numa batalha de Super Trunfo, essa é para quem é das antigas, onde cada um tenta provar que tem o melhor poder dentro de alguma característica.
Mas, e quando o reconhecimento vem de fora, sem precisar ser forçado? Aí temos duas certezas:
- A característica é orgânica, ou seja, não é forçada e não é uma mentira, faz parte da sua essência.
- Quem realmente é, o outro reconhece imediatamente, sem dúvida nenhuma.
Seja, e o reconhecimento virá naturalmente
Se hoje você não é quem gostaria de ser, esforce-se, trabalhe, lute, mas faça isso em silêncio, porque, quando você realmente for, o reconhecimento virá automaticamente.
E mais, quanto mais distante o reconhecimento vier, mais genuíno será, sem contaminações por afetos de pessoas próximas, que poderiam ser tendenciosas e apenas massagear seu ego.
É muito bom ser sem precisar dizer, sei que sou muitas coisas, boas e ruins! Com relação às ruins, tenho trabalhado diariamente, no silêncio, no meu canto, e o que entendo ser de alguma forma proveitoso, faço o mais rotineiramente possível, de forma orgânica e sem esperar nada em troca, porque é meu, porque eu sou assim, porque assim desejei ser!
Um abraço e fiquem bem.
Rodrigo Bazzan – 21/03/2025

Rodrigo Bazzan
Psicólogo Clínico
“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung