UMA REFLEXÃO SOBRE O CAMINHO ATÉ AQUI
Escrevi cem vezes.
Cem dias de histórias e temas escolhidos com cuidado, as principais questões diárias que me tocaram em todos esses dias passados. Cem tentativas de alcançar quem talvez estivesse em silêncio, quem precisava de um abraço sem toque, de uma verdade sem julgamento, um pouco mais do que apenas correria, cansaço e poluição. Cem vezes em que me sentei diante da vida, olhei para ela e disse: “vem aqui, vamos trocar uma ideia!”.
Não escrevi para ensinar nada a você. Escrevo para ensinar a mim mesmo, a pelo menos tirar um tempo para pensar sobre o que aconteceu. Escrevi porque eu também precisava entender. E a cada texto, eu descobria um pedaço meu e compartilhava, com a intenção de que a experiência de reflexão fosse útil a alguém, mesmo que ela, em mim, já houvesse cumprido o seu papel. Um viva para a sublimação dessa psique complicada.
De verdade, nem lembro ao certo do que falei. Devo ter falado de dor, de recomeços, de partidas, de amor, de medos, de vazios. E, mesmo sem saber quem iria ler, fui colocando pra fora o que, de alguma forma, já morava dentro, sem me importar muito com o que fossem pensar. Cada texto foi uma conversa com alguém que eu ainda não conhecia, mas já respeitava profundamente: eu. Cada dia uma nova versão, melhor em algumas coisas, talvez pior em outras, mas a vida me cobra sempre transformação, experiências e retomadas quando algo não sai como deveria.
Esse texto 100 é um marco. Não por ser um número redondo ou simbólico. Mas porque me mostra que tem valido a pena. Como eu sei? Sinceramente, eu não imaginava chegar até aqui. Hoje, com esse texto, no mínimo eu pensei cem vezes de formas diferentes, procurando respostas, às vezes sem encontrar, mas com a responsabilidade de procurar viver uma vida da melhor forma possível — não do seu jeito, mas do meu. Na minha verdade, que com certeza pode se parecer um pouco com a sua, mas não totalmente, porque a verdade de cada um é única e própria do indivíduo.
Parece estranho, mas descobri a escrita há pouco tempo, coisa de uns 3 a 4 anos. Um dia sentei e disse: “acho que vou escrever um livro”. Quando percebi, já tinha terminado o segundo. Pura fantasia, histórias interessantes para mim, personagens que brotavam sei lá de onde — uma coisa de “doido” — mas gostei. Descobri na escrita um meio de conversar comigo mesmo, e tem sido muito proveitoso, sem pretensões, só escrita e um bate-papo com um pedaço de mim aqui dentro.
Talvez ainda venham outros cem. Talvez nem tantos. Talvez amanhã eu pare — vai saber?! A vida é assim. Se conseguir, aproveite o momento. Viva o melhor que puder e como quiser. A vida é sua. A responsabilidade também. Como diria Abujamra: “A vida é sua, estrague-a como quiser”.
Obrigado por estar comigo até aqui.
Esse texto é nosso, na verdade todos eles são, a lista completa esta aqui.
Um abraço e fiquem bem!
Rodrigo Bazzan – 04/07/2024

Rodrigo Bazzan
Psicólogo Clínico
“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung