uma reflexão sobre a vida, sobre ter paz consigo mesmo
Paz! Eu quero muito e você? Mas já parou para pensar sobre o tal conceito de paz? Que tal focarmos na falta dela para identificá-la de forma mais coerente? Vejamos alguns exemplos onde a paz está em falta:
- Falta paz no corpo: quando o corpo está tenso, ansioso, em alerta constante.
- Falta paz externa: quando há guerra, briga, barulho ou confusão ao redor.
- Falta paz interna: quando a mente e o coração estão agitados, culpados, com medo ou raiva.
- Falta paz entre pessoas: quando não há respeito, mas sim egoísmo e agressividade.
Percebe? De que paz estamos falando? Da sua? Da minha?
A desarmonia que nos afasta da paz
Para cada um de nós, haverá falta de paz em uma área distinta, umas com mais frequência do que outras, até que aprendamos a lidar com a situação, tomando o controle para si e então encontrando o caminho. Há muitos tipos de paz: a que se busca no silêncio, a que se tenta manter no meio do caos, a que se sente por segundos antes de dormir. Cada um nomeia do seu jeito. Mas tem algo em comum entre todas: quando ela falta, a gente sente.
E o que é que falta, de fato? Pode parecer diferente em cada situação, uma briga em casa, um vazio no peito, um peso no corpo. Mas o motor é o mesmo: a desarmonia. É o descompasso entre o que se quer e o que se vive. Entre o que se sente e o que se mostra. Entre o que se precisa e o que se tem. “Pera aí, não era bem isso que eu esperava!” Pronto, lá se foi a paz.
Como ajustar o motor da paz
A ausência de paz é a ausência de encaixe. Coisas que não se falam. Partes da vida que puxam para direções contrárias. Corpo pedindo descanso e mente gritando obrigações. Relacionamentos que machucam mais do que acolhem. Tudo fora do lugar. Procure pela desarmonia e ela estará lhe recebendo com os braços abertos logo à frente.
A paz some, desaparece quando a harmonia quebra, e volta instantaneamente quando ela retorna. O medo vai embora, a angústia desaparece, e até a raiva, um dos sentimentos mais potentes, se abranda como em um passe de mágica. Bom, na verdade não é uma mágica, mas sim uma construção, um ajuste fino e cuidadoso.
É como ajustar o passo de um motor de carro. O mecânico usa ferramentas precisas, e muito específicas. Ninguém arruma um motor usando uma marreta de 5kg. A coisa precisa ser pensada, analisada e corrigida com calma e suavidade, afinal, não se encontra paz no meio do caos. É preciso um ajuste fino de cada vez, analisando os resultados obtidos, até que tudo esteja em perfeita harmonia novamente.
Se a única ferramenta que você conhece é a marreta do Thor, talvez precise aumentar o repertório e tentar outras possibilidades. Se a busca é pela paz, marretadas não irão resolver absolutamente nada. Quem sabe um olhar compreensivo, um aperto de mão, um pedido de desculpas, uma reconciliação? Pela minha pouca experiência os resultados têm se mostrado muito promissores.
A verdadeira paz e o perdão
Às vezes, não ter a razão é um bom caminho para o início da paz. Se você está convicto de que está correto mas não há espaço para diálogo, acalme-se, mantenha a paz reinando. Um momento oportuno aparecerá e você conseguirá expor o seu ponto de vista. Se ele será aceito ou não, é outra questão, mas mesmo que não seja, mantenha a paz. Saia, vá embora se for necessário. Talvez a sua verdadeira paz esteja em outro lugar.
Essa é a verdadeira paz: a de não precisar mais convencer ninguém de nada. A de se olhar no espelho e saber que está tudo certo com quem você é, mesmo com seus defeitos, com suas quedas, com os dias ruins. De viver sem a necessidade constante de aplausos.
E quando errar, e você vai errar, saiba se perdoar. A frustração faz parte. Não precisa ser negada, mas também não precisa ser alimentada com culpa. Olhe para ela, aprenda com ela e siga. A paz não vem da perfeição, vem da aceitação, de se manter em harmonia, sabendo que tudo muda uma hora ou outra.
E isso, só isso, já é mais do que o suficiente. Tenha paz!
Rodrigo Bazzan – 07/07/2025

Rodrigo Bazzan
Psicólogo Clínico
“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung