O Homem queixado

Um olhar sobre o estado de vitimismo constante

A queixa como rotina

Queixar-se por muito tempo foi uma rotina na minha vida. Acredito que cada um de nós já tenha se queixado de algo: de um acontecimento, de algo que recebeu ou até mesmo do tempo—se está sol ou se está chovendo. Isso é muito comum. Queixar-se faz parte da humanidade.

Na psicologia, estudamos os traumas do passado, levantamos as queixas atuais e tentamos correlacioná-las com experiências anteriores. Os sintomas estão sempre embalados pelo tempo que já se foi, principalmente aqueles que se originam na infância.

O estado de vítima

É claro que, em algum momento, acabamos sendo vítimas de algo ou de alguém—de um acontecimento ou seja lá o que for. Muitas vezes, ao analisarmos a situação, podemos até justificar esse estado. “Olha só o que aconteceu!”, pensamos.

Em alguns casos, pode haver justiça, uma compensação, algum tipo de reparo. Mas nem sempre é assim. Os acontecimentos do passado estão no passado, e lá ficarão. Voltar a eles só serve para entender os sintomas, analisar os comportamentos atuais e, principalmente, para aprender com eles. Isso, no que diz respeito aos traumas.

O que você faz com o que aconteceu?

Gosto muito de uma frase do filósofo Sartre que diz algo mais ou menos assim:

“A questão não é o que aconteceu comigo, mas o que eu faço com o que aconteceu comigo.”

Isso faz muito sentido para mim. Em certos momentos, parece haver um desejo recorrente de permanecer no estado de vítima. Esse estado, de certa forma, tem seus benefícios: você recebe justificativas, atenção, pena, compaixão. As pessoas olham para você e se assombram com suas histórias. Mas… e depois?

É só isso que você quer? Porque não dura muito. Você pode ter sido vítima, mas não precisa permanecer nesse estado. O vitimismo é um lugar aprisionador que impede o crescimento e não permite que você siga em frente.

A vida acontece no presente

O passado sempre estará lá, mas é somente no presente que é possível viver. Você pode olhar para trás de vez em quando, mas deve manter o foco no agora—porque é nele, e apenas nele, que as coisas acontecem.

Às vezes, o que você recebeu pode ter sido insuficiente, mas pode também ter sido o máximo que o outro conseguiu dar. Seja grato. Antes da sua história, houve outras. Antes dos seus problemas, houve outros. Você não é filho de Adão nem de Eva. Seu nome não é Abel, nem Caim.

Houve muitos antes de você, todos com suas dificuldades, seus desafios, suas dores. Talvez também tenham se sentido vítimas. Mas, e agora? O que fazer? A vida é um ciclo.

Quebre o ciclo e siga em frente

Aprenda essa lição de uma vez por todas: não haverá compensação pelo que você entende ter sido uma injustiça. O melhor que você pode fazer é entregar ao mundo aquilo que faltou a você.

Faça por você o que não fizeram. Dê ao mundo o que gostaria de ter recebido. O passado já passou. Você não precisa mais morar nele.

A vida acontece agora. E o tempo não espera.

Siga em frente.

Abraços e fiquem bem!

Rodrigo Bazzan – 12/03/2025

Rodrigo Bazzan

Psicólogo Clínico

“Onde o amor reina, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro” Carl Jung

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